Ted Lasso volta com mais um episódio e desta vez, mostra-nos de perto o quão desanimadora a realidade do futebol feminino é.
Esta semana, a nossa equipa tem o primeiro jogo da temporada, um jogo amigável com Hayes and Yeading, e o caminho até chegarmos lá é turbulento, como indicado nos últimos episódios.

Na semana passada, vimos a Josie, a ponta de lança principal da equipa, a romper o LCA, deixando a equipa à procura de um novo membro. Mas não acaba por aí, já que, esta semana, vemos uma outra jogadora, a outra ponta de lança, a descobrir que está grávida nos primeiros segundos de abertura.
O Ted, Beard e a Alice discutem a situação. Estão agora com zero pontas de lança, o que piora as más condições da nossa equipa. O Ted pergunta à Alice se conhece alguma ponta de lança e enquanto que a Alice diz que sim, a reação dela mostra que não tem esperanças mas, de forma sarcástica, arranja uma solução: eles devem realizar captações abertas. Vemos também a dinâmica entre o Beard e a Alice a ser explorada, algo que gostei bastante.
Vemos o namorado da Rebecca, Matthijs (Matteo van der Grijn), que conhece o Ted pela primeira vez, a ser deixado plantado pela Rebecca várias vezes, o que os fãs suspeitam ser indicativo do que está para vir para o casal.
Durante esta cena, a Keeley oferece uma sugestão para o jogo: toalhas de apoio (“rally towels”), uma tradição americana onde os fãs do clube abanam toalhas com as cores do clube (azul e vermelho, no caso de Richmond), para mostrar o seu apoio e adoração pelo clube. Porém, isto custaria £4000, dinheiro que a nossa equipa não tem. Mesmo assim, a Keeley, levada pelo seu entusiasmo e pela ignorância sobre a situação financeira da equipa, compra as toalhas com o seu próprio dinheiro.
Temos a primeira reunião da equipa dos acionistas de Richmond da temporada (e da série), com uma aparição das Milk Sisters, que foram mencionadas na primeira temporada, no episódio que nos deu a famosa cena dos dardos entre o Ted e o Rupert, e uma aparência de Paul, Jeremy, Baz e Mae, a quem foi vendido uma parte do clube no final da terceira temporada.
Durante a secção de perguntas na reunião, apenas uma foi direcionada para o Roy, por um jornalista vestido como o Marty McFly de Back to the Future, que menciona o futuro do Roy como treinador de Richmond. O treinador, mais uma vez, é desdenhoso, e as perguntas param por aí.
O foco vira-se para a equipa feminina, com o Higgins a perguntar ao público se tem alguma questão. A maioria dos acionistas levanta-se para sair, mas a Rebecca previne que o mesmo aconteça com um assobio impressionante.

Com a atenção virada para a Keeley, a misoginia que vemos durante os últimos episódios persiste: a equipa de acionistas, composta principalmente de homens, continua a duvidar da nossa equipa e trazem à tona os problemas de sustentabilidade mencionados no Higgins Report do episódio passado (que, de alguma forma, se encontra nas redes sociais), o que apanha a Keeley totalmente de surpresa.
Descobrimos que o Henry vai estudar na mesma escola que a Phoebe, sobrinha do Roy. Vemos, também, uma discussão entre o Roy e a Phoebe, que põe o tio no seu lugar quanto à sua ignorância sobre o futebol feminino, mostrando que ela não mudou nada desde a última vez que a vimos.
Somos introduzidos, de relance, à Gemma, a colega da Alice mencionada anteriormente, e se a forma como a Alice reagiu sobre a pergunta do Ted não era indicação da tensão entre as duas jogadoras, esta cena, com certeza, é, visto que a Gemma se recusa, sequer, a falar com a Alice.
Como se as coisas não estivessem mal que chegue, o Pinter & Sons remove a parceria com a equipa feminina, mas a equipa, maioritariamente a Keeley, recusa-se a desistir, insistindo que o clube tem algo que o Higgins Report não levou à consideração: eles próprios e a Richmond Way.
Chegamos às nossas captações abertas, com uma introdução de Opening: I Hope I Get It do musical A Chorus Line, com uma cara familiar entre as desconhecidas. A Shannon (Shannon Hayes), a rapariga que costumava jogar futebol com o Ted na rua, tem uma aparição neste episódio e, como descobrimos mais tarde, um papel maior durante o resto da temporada.

Conhecemos a Maria Rojas! Sim, a irmã do nosso amado Dani (dentro e fora do ecrã) faz uma aparição neste episódio, algo que excitou bastante os fãs, assim como o Ted e o Beard. Mas, como vemos mais tarde, o irmão ensinou-lhe tudo que sabe, exceto futebol.
Temos uma sequência das novatas a fazerem diferentes exercícios com a nossa equipa, com o Beard a riscar nomes à medida que o treino vai passando. O nome da Maria também é riscado e, após admitir que o Dani não lhe ensinou a jogar futebol é confrontada com a pergunta: “But… football is life?” (uma referência clara ao seu irmão), ao que responde, “No dumb-dumb. Life is so much more than football.” Uma frase, que apesar de não ser tão catchy como a anterior, está absolutamente certa.
Somos introduzidos à roupeira da equipa feminina, a June, que infelizmente vem entregar mais más notícias à Keeley: os equipamentos da equipa não estão prontos, o que adiciona ao seu stress. Mas mesmo assim, a Keeley tenta ficar positiva.
Temos oficialmente dois novos membros da nossa equipa: a Lizzie (que, se a cena entre ela e as gémeas nos diz alguma coisa, sem dúvida será a capitã) e a Shannon, a quem foi oferecida uma posição da equipa, apesar da Alice e do Beard não concordarem com o Ted na decisão.
Mas o maior problema ainda está presente: eles não encontraram uma ponta de lança.
Entretanto, a Rebecca reúne-se com a presidente da Pinter & Sons numa tentativa de prevenir que a empresa acabe com a parceria com a equipa feminina. A presidente menciona que dúvida que o público tem em relação ao sucesso das Lady Greyhounds, mas a Rebecca defende que, dada a oportunidade, a equipa feminina conseguirá alcançar o seu potencial. A Rebecca explica que acredita na equipa feminina e o porquê de a terem criado: para que raparigas jovens consigam ser representadas, mas também para que rapazes cresçam a reconhecer e respeitar as atletas femininas—algo que, evidentemente, não acontece nos dias de hoje. Isto convence a CEO, Elaine, a mudar de opinião sobre rescindir a parceria.
Vemos o Ted e o Henry a pôr a conversa em dia no final do dia de escola dele: na opinião do Henry, um ponto positivo é que toda a gente soa como se estivesse em Paddington, e um negativo é a escola em geral, mas fora isso, o Henry parece estar a adaptar-se bem com a mudança. Vemos também que a afeição da Mae pelo Henry continua. Apesar da diferença em ator, a dinâmica cativante com os outros personagens continua presente.
Algo que achei bastante importante foi a menção de que a Mae, que nunca vimos assistir um jogo da equipa masculina em pessoa, não só vai estar no jogo amigável das Lady Greyhounds, mas também comprou bilhete para a temporada, pois é “the most exciting thing that’s happened in my whole fucking life”.

O Ted e a Alice (com relutância) encontram-se com a Gemma. A tensão entre as duas mulheres ainda está presente, e o Ted, sendo o Ted, tenta aliviar o momento pesado com piadas. Descobrimos um pouco mais da história entre as jogadoras, e ex-companheiras de equipa, e descobrimos também que a Alice, particularmente a sua atitude com as outras jogadoras, foi o motivo para a Gemma não só estar a evitar a Alice, mas ter parado de jogar futebol profissionalmente.
A Keeley tenta lidar com a situação dos equipamentos sozinha, não só não consegue levantar os equipamentos em pessoa, mas também lhe é entregue o pacote errado, por alguém chamado Derek, um nome partilhado com o antigo chefe da Michelle, e o chefe da Jade, namorada do Nate, os quais eram desgastados por ambas personagens.
O ênfase de más personagens com este nome é algo que os fãs acham engraçado, assim como o contraste com outra série do Bill Lawrence e Brett Goldstein, Shrinking, onde dois personagens com o mesmo nome (Derek e Derrick, mais conhecido como Derek 2) são prezados entre os fãs e os personagens da série.
O stress da Keeley continua a piorar, desta vez com o Roy a desvalorizar as preocupações da mesma, pois “é só um jogo amigável”, mostrando, mais uma vez, a diferença entre futebol masculino e feminino. Se uma equipa masculina perder um jogo amigável, tudo bem; enquanto que se a equipa feminina perder pode significar a falência da mesma.
Apesar de inicialmente ter recusado, a Gemma oficialmente junta-se à nossa equipa! É evidente que a atitude do Ted, especialmente quando lhe disse que era a única pessoa na lista da Alice, a fez repensar as suas opções de carreira, e até a vemos a re-assistir clipes antigos do jogo da Inglaterra com a Alemanha para o campeonato europeu, particularmente o golo da Chloe Kelly, que levou a Inglaterra à vitória.

O Roy redime a sua atitude anterior, trazendo a Phoebe e as colegas dela para ajudarem a Keeley com os uniformes para a equipa, e o resultado não desaponta, como vemos quando o jogo finalmente começa. Esta cena traz-nos aparências especiais da Rebecca Lowe e da Jill Scott como elas mesmas, algo que sem dúvida vai ser um paralelo com o Arlo White e o Chris Powell a aparecerem em episódios de jogos nas últimas temporadas.
E vemos também a Barbara, que não perde a oportunidade de “criticar” a relação da Rebecca com o Matthijs: “Yes, I had an ex who enjoyed being humiliated, too. He used to dress up as a baby and clean my toilets.”
Apesar do entusiasmo sobre os novos uniformes, a nossa equipa não teve um bom começo neste primeiro jogo, com zero golos aos 75 minutos, mas isto muda quando a Alice põe o seu orgulho de lado e toma uma decisão difícil para ela, mas excelente para a equipa. Os treinadores colocam a Gemma no jogo e, em poucos minutos, o resultado é espetacular! A nossa ponta de lança provou o quão merecedora é da posição.

Isto leva à minha cena favorita do episódio. Não só vemos personagens como o Henry, a Michelle e a Phoebe a celebrar a vitória, mas também a Mae, que esperava por um momento destes a vida toda, a se emocionar ao ver história a acontecer.
O caminho até aos balneários está repleto de emoção, com o Ted, o Beard e o resto da equipa a celebrar a Gemma, mas a Alice, mesmo assim, não perde a oportunidade de oferecer uma crítica construtiva.
O episódio termina com o Roy e a Rebecca a compensarem pelos seus respectivos comportamentos. O Roy pede desculpa à Keeley por ter adicionado ao seu stress, com um reporte alternativo sobre a sustentabilidade do futebol feminino, intitulado The Jones Report que consiste de uma página que lê: “Fuck ‘em!”. E a Rebecca, depois de cancelar planos de jantar com o Matthijs três vezes, finalmente consegue chegar a tempo.
Fechamos o episódio com o cover de I Dreamed a Dream de Susan Boyle (que foi mencionada durante o episódio, inclusive com uma referência no título do episódio, Richmond’s Got Talent), a música usada na famosa audição de Britain’s Got Talent. Originalmente escrita para Les Mis, a música é um lamento, e representa exatamente o que a nossa equipa (particularmente a Keeley) sente durante o episódio: o desejo de voltar a tempos mais felizes e sem preocupações.