Voltamos a mais uma semana com Ted Lasso. Um episódio cheio de desenvolvimento para a equipa, aprofundamento para relações existentes e uma previsão do que uma equipa pode alcançar quando está unida.

Abrimos o episódio com não só uma, mas duas aparências especiais, a voz do James Lance, o nosso Trent Crimm, a entrevistar a doutora Sharon Fieldstone para o seu podcast, Through the Laces with Trent Crimm.
A última vez que vimos a Sharon foi no episódio final da terceira temporada, a dar terapia ao Roy. Vimos que a nossa terapeuta está a trabalhar como professora de psicologia no desporto na universidade de Loughborough, e, tal como o Trent, escreveu um livro sobre a sua experiência com a equipa masculina de Richmond: Unlocking the I in Team: The Psychology Behind Team Building.
O podcast do Trent serve como guia para a audiência durante este episódio, a conversa entre os nossos personagens narrando certas cenas. O primeiro exemplo vem quando a Sharon expande na frase: “Lose the locker rooms, lose the team”, que se resume à comunicação e confiança entre as jogadoras e os treinadores que, na maior parte, começa nos balneários.

Isto traz-nos um corte hilário para o Ted, do lado de fora da porta dos balneários, a tentar ouvir o que se passa do lado de dentro. Temos também o Beard, a ler Soccer Women de Gemma Clarke. Temos mais frustrações na parte do Ted por não poder andar à vontade dentro do edifício. Isto é refletido não só com não poder entrar nos balneários, mas com o escritório da Rebecca, como foi visto no episódio passado. Mas, finalmente, seguimos o Ted até ao balneário, onde a tensão entre a equipa palpável.
Aprendemos que desde a estreia da nossa equipa no último episódio, não sofreram nenhuma derrota, com duas vitórias e dois empates, contra equipas mais fracas, de acordo com o Beard; a Alice concorda, mostrando mais uma vez o quão similares os dois treinadores são (algo referido pelo próprio Ted).
O Ted dá felicidades à Lizzie e às gémeas (Niamh e Siobhan) por ajudarem a Boots, a nossa guarda-redes, a alcançar a primeira clean sheet. Também congratula a Gemma por outro golo, e as jogadoras de meio campo, com as mesmas a aplaudir ambos as defesas e as avançadas. Esta cena introduz o conflito principal do episódio: grupos a formar entre as avançadas, defesas e jogadoras de meio campo, e as tensões que isto pode trazer dentro e fora do campo.
A Alice tenta explicar as diferentes frações a formarem-se na equipa com Harry Potter, mas como o Ted não tem conhecimentos sobre a franquia, o Beard explica com personagens de Ferris Beuller’s Day Off (o que inspira o título do episódio). O personagem titular representa as avançadas da nossa equipa, criam momentos excitantes, mas, às vezes, são um pouco egotistas. As defesas são representadas pelo Cameron Frye, são protetoras e leais, mas também têm uma inclinação para um pensamento ansioso e são cautelosas. E, finalmente, as jogadoras de meio campo, representadas pela Sloan Peterson, são lógicas e procuram equilíbrio e, por vezes, são desmerecidas pela narrativa.

A Rebecca e a Keeley comparecem na cimeira de futebol feminino que, sem surpresa, é composta maioritariamente por homens brancos. Somos introduzidos à Zelda Southport (retratada pela icónica Tracey Ullman), que não perde a oportunidade para dizer aos homens presentes o quanto desgosta não só da aparência dos mesmos, mas também da sua ética de trabalho. A Zelda confronta os homens na sala sobre a forma como eles agem sobre as equipas que representam, e sobre não terem conhecimento sobre as mesmas, pois nem se dão ao trabalho de comparecerem aos jogos.
A Keeley convence a Rebecca a falar com a Zelda, que, de imediato, menciona o divórcio da Rebecca e o seu desgosto pelo Rupert, e o trio concorda em marcar uma reunião.
De volta ao podcast, o Trent diz que associa as frações que se podem formar com adolescentes, e não com atletas profissionais. A Sharon discute que, por vezes, ambos podem atuar de formas semelhantes, mas que, no final das contas, estes grupos são apenas formas para as pessoas encontrarem comunidades em ambientes stressantes.
Isto leva-nos de volta ao campo onde, após ver a equipa a jogar, o Ted pensa que tudo está de volta ao normal, porém a Alice percebe que este não é o caso, e isto prova-se correto quando, no fim do treino, as frações formam-se novamente.

A Keeley fala entusiasmadamente com o Roy sobre a cimeira, especialmente de tudo o que a Zelda realizou: duas equipas de futebol europeias, uma equipa de rugby, uma equipa na WNBA e uma equipa profissional de hóquei no gelo; está também a financiar uma versão feminina da peça de teatro Glengarry Glen Ross. Também aprendemos pelo Higgins que a Zelda fez parte de uma banda punk rock chamada Seizure.
Ao contrário de em episódios passados, o Roy está a prestar atenção ao que a Keeley lhe conta e não ignora o que ela lhe diz. Porém, isto lida ao subplot que mais desgostei no episódio (e talvez na temporada): o Roy quer voltar com a Keeley, mas ela não aceita. Em vez disso, ela pergunta ao Roy sobre o passado romântico dele desde que terminaram e, quando o Roy diz que não esteve com ninguém, a Keeley sugere que ele deveria. Desta forma, o Roy conseguiria “tirar a Keeley do pedestal onde a pôs” e ter a certeza que realmente quer voltar com ela. O Roy concorda e adiciona que o Higgins pode acompanhar os resultados (algo que ele desesperadamente não quer).
De volta ao podcast, o Trent menciona noites de filmes, uma tradição começada pela equipa masculina de Richmond. A Sharon discute que as noites de filmes não são muito sociais – algo que deve ser debatido; apesar de ver filmes não ser particularmente social, esta atividade leva a discussões e até a momentos de conexão entre as pessoas envolvidas.
Com o sorteio da FA Cup a aproximar-se, o Ted e o Beard concordam que a fricção entre a equipa tem de acabar. O Ted pergunta como é que isto acontece nos filmes, e temos referências excelentes, que acabam por ser inúteis, como: Mean Girls, onde a Regina George é atropelada por um autocarro; Heathers, onde a Veronica mata as outras Heathers; Lost Boys, onde o grupo de vampiros é separado… com estacas ao coração.

O Ted menciona que está a lidar como FOBOLOR (fear of being out of the locker room) e a sua isolação leva-o a esquecer a melhor forma de juntar pessoas: um inimigo ou um objetivo em comum. E a inspiração/solução é-lhe literalmente entregada quando a Mae anuncia que a noite de trivia vai retornar, algo que emociona bastante o Beard, cujo é notoriamente impossível de vencer.
Vemos o Roy a ir aos encontros que prometeu à Keeley, que não correm assim tão bem, já que ele tenta fazer tudo numa só noite. O Higgins, apesar de estar desinteressado, continua a ser parte do drama, e está presente num grupo com o par.
A Rebecca e a Keeley tratam de PR para a equipa e aprendemos que a Gemma se tornou uma favorita entre os fãs. A Keeley continua entusiasmada sobre a Zelda e o que ela pode trazer para a equipa, porém a Rebecca não pensa que isto seja uma boa ideia, por causa do passado da mesma. A Rebecca conta à Keeley que “Zelda Southport“ não é o nome da presidente, mas sim Carol Dring. A mesma também foi presa, há anos atrás, por ameaçar um dono de um clube com um par de facas de manteiga. Para a Keeley, isto não importa, pois tanto ela como a Rebecca têm coisas do seu passado que podem ser julgadas.
No escritório dos treinadores temos mais frustrações pela parte do Ted por não poder andar à vontade dentro do edifício. Isto é refletido não só pelo impedimento de entrar nos balneários, mas como no impedimento de entrar no escritório da Rebecca, como foi visto no episódio passado. E as frustrações continuam a aumentar, quando as tensões entre a equipa vão para o lado físico. Isto leva ao Ted a agir: apesar de não ser “bem-vindo”, o treinador entra nos balneários para tentar que a equipa aja de forma madura, e é decidido: a nossa equipa vai para a noite de trivia de Crown & Anchor, e os treinadores é que escolhem as equipas.
O “desafio” do Roy continua a progredir, mas, desta vez, vemo-lo a ser honesto com a pessoa com quem está a sair. A barwoman diz-lhe que rapidez não é considerada uma qualidade no que se trata a namorar e que cinco encontros é um novo recorde para o Bones and Honey. Quando o Roy debate que são apenas quatro encontros, a barwoman diz-lhe que está a contar o tempo que ele passou com ela, também.

No Crown and Anchor, vemos que as tensões ainda estão altas dentro da nossa equipa, aprendemos os nomes de mais três jogadoras (Terri, Evellyn e Paris, que estão numa equipa com a Gemma e a Margy) e vemos que a Alice ainda não percebe as referências do Ted a cem porcento.
Depois de três rondas, temos um empate a três para o segundo lugar, com duas das equipas de Richmond e uma equipa composta só por homens, que aterrorizam as nossas jogadoras desde o início. Mas claro, ninguém chega ao pé dos nossos treinadores, com o Beard a levar a equipa à vitória até aqui. Eles fazem uma pausa na trivia e o Beard está com altos espíritos, algo que não dura bastante pois, momentos depois, vê algo na casa de banho que o deixa completamente numa trance.
Tal como o Ted previu, um objetivo em comum ajudou a unir a nossa equipa, mas, como veremos em breve, um inimigo comum ainda as vai unir mais.
A noite do Roy chega ao fim, mas não na forma como ele esperava. Enquanto as coisas aquecem com a barwoman, ele desloca a sua perna, o que o leva finalmente a ver uma médica sobre isso.

Temos uma conversa honesta entre a Keeley e a Rebecca nas bancadas do nosso estádio, onde a Keeley confessa que, apesar de nunca ter interesse em futebol antes conhecer o Roy, o motivo por ela ser tão apaixonada pelo desporto é tudo o que ela passou com a Rebecca durante os últimos seis anos, os altos e os baixos. A Keeley admite que sabe que é um pouco excessiva no que se trata ao clube feminino, mas que isto vem de um lugar de emoção. E não há problema quando a Rebecca rejeita as suas ideias, pois força a Keeley a pensar em maneiras novas, e melhores, de fazer as coisas.
De volta à nossa noite de trivia, vemos que o Beard ainda está em choque, o que leva a sua equipa a descer para último ao fim de cinco rondas. Temos, novamente, um empate; desta vez entre a equipa da Lizzie e a equipa masculina mencionada previamente, que não perde a oportunidade para atormentar a nossa equipa. A categoria para a ronda de morte súbita é algo que deixa a Lizzie bastante entusiasmada: livros de crianças.

Somos apresentados, assim como o Roy, à doutora Erin Beaumont, mencionada no episódio passado, onde revemos a história da lesão do Roy, que ocorreu no último episódio da primeira temporada e aprendemos que a dor está a ser controlada com ibuprofeno (às vezes dois comprimidos, outras vezes duas manadas). Quando a doutora questiona o porquê do Roy não ter tratado disto mais cedo, o mesmo ignora a sua preocupação, dizendo que está tudo bem. Vemos aqui também que o Roy ainda está a usar as meias que a Phoebe lhe deu no episódio passado.
A ronda final do quiz é intensa, mas, com incentivo da Gemma, a nossa equipa ganha! A nossa equipa celebra unida, algo que não dura, pois os perdedores lidam com a sua perda de forma imatura, a despejarem cerveja na cabeça da Gemma, o que leva às nossas jogadoras a responderem na mesma moeda.
Isto leva à nossa equipa, incluindo os treinadores, a serem presos, mas isto não pára a celebração para nossa equipa. O Beard volta a si mesmo e, finalmente, vemos o que o afetou desta forma: um poster para o one-woman show da Jane, entitulado “Whatever happened to the baby, Jane?”. O Ted age como se isto não fosse nada demais, uma das muitas instâncias onde isto acontece. O que nos leva a perguntar o porquê dos roteiristas estarem a ser tão evasivos sobre a situação.
Em boas notícias, vemos que a nossa equipa finalmente acabou com os grupos e aprendemos, depois de serem afiançados pela Zelda, algo que deixa a Rebecca de perna atrás, que a equipa vai enfrentar na FA Cup é o Chelsea, e as Lady Greyhounds estão extasiadas por jogarem contra a melhor equipa no país.
A equipa, jogadores e treinadores, retornam ao pub da Mae para ajudarem a limpar a confusão que criaram anteriormente e vemos um momento de emocionar: a nossa equipa a cantar o chant de Richmond, assim como a equipa masculina fez quando se uniram pela primeira vez.

A Keeley vende a fotografia que tirou da equipa, à sugestão da Zelda que poderia causar um grande impacto, e vemos um artigo publicado sobre a situação. Por fim, vemos a reação do Trent e da Sharon sobre a notícia, onde a Sharon diz: “It doesn’t matter if you know why Ted does what he does, what matters is that he knows“, uma quote direta de The Richmond Way, e aqui, a Sharon admite que não leu o livro do Trent, mas que o ouviu, algo que a vimos fazer várias vezes durante a segunda temporada.
Este foi um episódio de aquecer o coração, com várias relações a serem fortificadas e uma pista sobre o que está para ver com o nosso Beard. O facto de estabelecemos a nossa equipa traz imensas possibilidades para dinâmicas futuras e histórias para as futuras temporadas (com rumores de que a quinta temporada será filmada em janeiro).