The Bride! – Frankenstein como nunca viste

The Bride é o novo filme de Maggie Gyllenhaal, uma reinterpretação ousada de Frankenstein. Com Jessie Buckley e Christian Bale, esta história mistura romance, revolução feminina e um thriller policial inesperado. Uma viagem eletrizante e cheia de surpresas.
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Em 2026, chega-nos um novo filme inspirado no universo de Frankenstein! Maggie Gyllenhaal apresenta-nos o seu segundo trabalho como realizadora (depois de The Lost Daughter, de 2021, com Olivia Colman no papel principal) e o seu primeiro argumento original. Baseado na obra de Mary Shelley e também no clássico Bride of Frankenstein (James Whale, 1935), surge The Bride!

A narrativa começa com um prólogo que nos introduz Ida (interpretada por Jessie Buckley). Acompanhamos Ida num jantar com um grupo de homens cujo comportamento é, desde o início, algo suspeito. Visivelmente embriagada, Ida sente-se à vontade para dizer e fazer o que lhe apetece. Contudo, a certa altura, perde o controlo das suas ações e começa a proferir palavras desconexas. A cena corta, então, para uma mulher (também interpretada por Jessie Buckley) num filtro a preto e branco. Descobrimos rapidamente que se trata de Mary Shelley, a autora de Frankenstein que, num género de possessão, se apodera do corpo de Ida.

De volta ao jantar, Ida é afastada da mesa e, no meio da confusão, dirige palavras de ataque a um homem presente no restaurante que viríamos a descobrir mais tarde ser o principal alvo de uma investigação policial. Dois dos homens que estavam com Ida tentam acalmá-la e perceber o que se passa, mas a situação culmina de forma trágica: um deles empurra Ida pelas escadas abaixo, resultando na sua morte.

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Nos anos 30, nos Estados Unidos da América, encontramos uma Criatura que se autointitula Frank – diminutivo de Frankenstein, claro – interpretado por Christian Bale. Frank vive há mais de 100 anos e, apesar de ser uma tentativa de criação perfeita, sofre de uma condição que aflige o ser humano comum: a solidão.

Motivado pelo desejo de acabar com a sua solidão, Frank procura a doutora Euphronius (interpretada por Annette Bening), conhecida pelas suas práticas de revitalização semelhantes às do Doutor Viktor Frankenstein. Após desenterrar o corpo de Ida, a doutora consegue reanimá-la, dando assim origem a The Bride.

A partir deste ponto, The Bride transforma-se numa viagem eletrizante, cativante e, sem dúvida, um pouco louca. Frank e Ida protagonizam uma história que mistura romance, revolução e, surpreendentemente, elementos de thriller policial. Durante uma rave (sim, uma rave com um concerto de Fever Ray), Frank e Ida matam dois homens que estavam a assediar Ida. Este evento dá início a uma fuga alucinante da polícia, liderada pelos detetives Myrna (Penélope Cruz) e Jake Wiles (Peter Sarsgaard – marido de Maggie Gyllenhaal).

The Bride! é uma história que, em alguns momentos, parece estar um pouco por todo o lado. No entanto, tudo se encaixa no final, recompensando o tempo do espectador de forma satisfatória.

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As interpretações de Jessie Buckley e Christian Bale são verdadeiramente notáveis. Ambos conseguem dar vida, de forma brilhante, aos monstros da nossa história, o que contribui significativamente para cimentar a qualidade do filme.

Além das interpretações brilhantes de Buckley e Bale, que dão vida aos monstros da história, o filme destaca-se também pela profundidade da sua mensagem.

Em The Lost Daughter, ficou claro que Maggie Gyllenhaal queria explorar, no grande ecrã, o que significa ser mãe, mas também o que significa ser mulher. Já em The Bride!, a mensagem é ainda mais explícita: a história que nos é apresentada reflete, de forma profunda, o que é ser mulher num mundo claramente de homens. Ao longo do filme, somos confrontados com momentos que, ora de forma subtil, ora de maneira mais evidente, revelam a intenção por trás desta narrativa.

Um desses momentos surge quando Myrna tenta desempenhar o seu papel de detetive num cargo dominado maioritariamente por homens, onde apenas outras mulheres se mostram verdadeiramente prestáveis. Contudo, o ponto mais marcante é o desenvolvimento de uma revolução feminina, desencadeada quando Ida se torna capa de jornal pelas suas ações ao longo do filme. Ou mais notoriamente, sobre como apesar de ter voltado à vida pelo desejo de Frank, Ida tem a sua própria personalidade e vai ser fiel a si mesma até ao fim.

The Bride! é um excelente passo na carreira de Gyllenhaal, que, ao continuar neste caminho, tem tudo para se afirmar como uma realizadora capaz de desafiar convenções e contar histórias que nos prendem do início ao fim, deixando-nos ansiosos por assistir e desejosos por mais.

A Noiva!

The Bride!
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Tiago Araújo
Fervoroso adepto de cinema e geek desde nascença. Quando acordo a primeira app que abro é o Letterboxd. Para além de cinema, ando sempre em cima de concertos e festivais, leio regularmente e estou sempre a ver pelo menos um anime. Podem também encontrar-me a jogar um jogo de Catan e mais recentemente Riftbound

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