The Institute – Temporada 1

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A MGM apresenta a sua nova produção sob a tutela da Amazon e, desta vez, trata-se de uma série de televisão adaptada de um livro de Stephen King. O autor, já com várias adaptações no seu “catálogo”, vê aqui mais uma das suas obras a chegar ao universo audiovisual — neste caso, em formato série. The Institute é um livro de 2019, portanto, relativamente recente na sua bibliografia, mas que já granjeou estatuto suficiente para uma adaptação. Conhecido pelas suas histórias misteriosas, muitas vezes com temas chocantes, King tende a explorar os limites da narrativa, e não raras vezes coloca crianças ou jovens no centro da ação, o que torna tudo mais complexo, mas também mais delicado.

São várias as histórias de King que já mereceram uma adaptação, mas poucas são as que realmente ficam na memória coletiva. The Shining, It: Parte 1 e 2 são dois dos exemplos mais marcantes no cinema. Já no panorama televisivo, temos casos como Under the Dome, que teve a sua quota-parte de sucesso, mas sem nunca atingir o patamar de excelência. Nunca fui leitor assíduo de King, mas admiro as suas histórias e gosto de as ir descobrindo por outros meios. E um desses é mesmo através das adaptações em live-action. The Institute surge nesse contexto e foi muito interessante embarcar nesta jornada.

Hábitos antigos, problemas recorrentes

A verdade é que sempre senti que, em tudo o que vi de King adaptado, faltava sempre informação. Seja porque dividem as histórias em várias temporadas ou em múltiplos filmes, ou porque a estrutura narrativa fragmenta-se demasiado. Da forma como estas adaptações têm sido conduzidas, fico sempre com uma expectativa estranha. Parece que as equipas que se aventuram numa obra de King têm uma confiança tal na história que nem consideram a possibilidade de contar tudo numa única temporada. Ou então, há tanto interesse em rentabilizar o produto que fazem o máximo para o estender… ou talvez seja um pouco das duas coisas.

Mas isso traz um problema complicado a esta série, e que me deixou inquieto ao ver o último episódio. A história fica completamente por concluir, com demasiadas perguntas em aberto e sem uma conclusão minimamente satisfatória. Parece que lemos três capítulos de um livro e o autor optou por guardar os restantes para um novo volume. E, de certa forma, foi exatamente isso que aconteceu aqui. É interessante deixar espaço para novas temporadas e estender a experiência ao máximo, mas a possibilidade da série não atingir o sucesso necessário e ser cancelada é real. E isso… isso é péssimo.

Elenco conhecido e desconhecido

A série brinda o espectador com um elenco versátil e bastante distinto. Com caras muito conhecidas do universo televisivo (e até do cinema) a surgirem em papéis e momentos-chave, o protagonismo recai, contudo, sobre um conjunto de jovens menos conhecidos de Hollywood. Joe Freeman, por exemplo, que assume o papel principal, teve apenas uma breve aparição na série Doctors em 2024, apesar de ser filho do famoso Martin Freeman. A par com ele, muitos tentam aqui encontrar o seu salto para a ribalta, e nada melhor do que a suposta nova grande adaptação de Stephen King.

No geral, considero que todos estiveram relativamente bem. Não foram, de todo, prestações memoráveis, mas o problema parece estar, sobretudo, no guião, que era demasiado limitado para lhes oferecer espaço para brilhar. Ben Barnes, por exemplo, interpreta uma personagem com grande potencial que acaba por se tornar apagada e pouco interessante. A escrita não ajudou as interpretações, que, por si só, já não eram especialmente inspiradas. Alguns momentos intensos encaixam bem em parte do elenco, mas o que falha verdadeiramente são as emoções, que se revelam insuficientes face ao impacto que a história exige.

Efeitos especiais de televisão

Antes de aprofundar este ponto, deixo um aviso: a versão a que tive acesso ainda não estava completamente finalizada, principalmente nos episódios da segunda metade da série. Por esse motivo, poderão existir melhorias na versão final que invalidem algumas das observações seguintes. Esta é apenas uma opinião, e devem ver por vocês mesmos e tirar as vossas próprias conclusões.

A série não se destaca pelos efeitos especiais, o que é especialmente notório numa era em que o valor de produção de uma série rivaliza com o cinema. Não que sejam maus, estão dentro do expectável para uma série… de há dez anos. Não digo que os efeitos sejam datados, mas o valor de produção em si sente-se desfasado face ao que se faz hoje.

Os cenários também são limitados e tornam-se repetitivos, dominados por estruturas de betão sem grande carisma. Isto, aliado a efeitos visuais razoáveis e guarda-roupa banal, resulta numa produção tecnicamente simples e pouco marcante. Não é uma série que se destaque por qualquer elemento técnico, o que a torna menos apelativa, sobretudo quando estamos rodeados de séries visualmente impressionantes. Este modelo antiquado ainda funciona em dramas policiais ou séries de época, mas aqui não serve os objetivos da história.

Mas há algo que realmente interesse?

Sim! The Institute tem os seus pontos positivos e formas eficazes de captar o interesse. O ritmo é algo irregular — a meio da temporada senti-me a perder o fio — mas a narrativa volta a ganhar força e a prender o espectador nos últimos quatro episódios. Com um total de oito episódios, a série transporta-nos para uma trama complexa, que levanta muitas questões e nos conduz por uma aventura psicologicamente intensa. Num misto de ficção científica, thriller e terror, esta primeira temporada consegue agarrar quem lhe der tempo e atenção.

E é aqui que a série nos apanha. Se há algo em que as obras de King são especialistas, é em criar histórias interessantes. Mesmo com diferenças em relação ao material original, é uma narrativa cheia de detalhes sombrios e envolventes. Esses elementos tão característicos do autor estão presentes aqui. Apesar de todos os problemas já referidos, posso garantir que fiquei entusiasmado com a possibilidade de haver mais. Quero saber o que acontece a seguir. E espero sinceramente que haja uma segunda temporada, porque há muito mais por explorar.

A série acaba por conseguir equilibrar muito bem o terror psicológico com uma vertente emocional forte, impulsionada pelas interpretações de Joe Freeman e Viggo Hanvelt, que se destacam de forma incrível no meio desta escrita. Além disso, não podia deixar de destacar a introdução da série, que é muito imponente ao som de “Shout” dos Tears for Fears, na versão dos The Lumineers. Num detalhe que estabelece esta série como perturbadora, cativante e ao mesmo tempo emocional. A sua estrutura e atmosfera inquietante, mesmo com alguns problemas claros em cima da mesa, colocam-na como possivelmente uma das melhores adaptações de King à TV.

The Institute vale a pena?

Para mim, a resposta é simples: sim. A série tem a sua quota de problemas e, mesmo com uma máquina gigantesca por trás, ainda precisa de evoluir nos seus valores de produção. No entanto, é uma série com potencial tremendo e uma história demasiado interessante para ser descartada. Embora se sinta como uma produção com um modelo mais clássico, em que cenários e efeitos são claramente pensados para TV, senti uma nostalgia que me levou a 2006, a ver episódios de Jericho ou algo semelhante.

No fim de contas, a série funcionou para mim. Não será a melhor do ano, e dificilmente será nomeada a prémios, mas tem algo que quero continuar a acompanhar. Só espero que não acabe no pote das séries que gostei… mas foram canceladas. Não é um pote muito grande, mas já lá moram algumas. Estou a olhar para ti, Jupiter’s Legacy.

The Institute

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Lançamento: 2025-07-14 Ano: 2025
Criador:
Premiere: 14-07-2025 Finale: 24-08-2025
Temporada: 1
Distribuição:
Estúdio:
7
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Eduardo Rodrigues
Considero-me um geek da cabeça aos pés. Adoro uma boa leitura, apreciar a arte da BD e da Manga, ver de uma assentada aquela série ou anime incrível, ir ao cinema e devorar um filme e deliciar-me com uma aventura interativa nos videojogos e nos jogos de tabuleiro. Sou um adepto da mágica Briosa e um assistente fervoroso no estádio.

Colaboraram neste artigo

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