A série médica mais realista
The Pitt estreou no início deste ano e veio revolucionar o mundo das séries médicas, e consegue retratar de uma forma bastante realista e fiel como é uma urgência de um hospital. A produção e o elenco são incríveis e conseguem interpretar o caos, a logística e até a pressão psicologia que os profissionais de saúde tem de ultrapassar para conseguirem tratar os utentes. Através de The Pitt, temos uma experiência empática com personagens que nos enchem o coração, e que tornam a série cada vez melhor.
The Pitt explora a realidade do serviço de urgência de um hospital em Pittsburgh, mas de uma forma completamente diferente de todas as séries relacionadas com medicina. Cada episódio transporta-nos para uma hora de um turno de 15 horas totais, e acompanhamos vários pacientes ao longo deste turno. Enquanto os profissionais de saúde têm o objetivo de ajudar em traumas, vemos também o seu lado pessoal, com a apresentação de histórias que se entrelaçam com este turno médico.
The Pitt foi criado por R. Scott Gemmilll e John Wells, ambos autores da serie ER: Serviço de Urgência de 1994, que perdurou durante 15 temporadas. Gemmill e Wells seguem os passos e a técnica de ER, mas com foco no realismo clínico e menos em dramas amorosos e intrigas superficiais.
Este realismo faz The Pitt destacar-se e os procedimentos médicos são extremamente detalhados, salientando a ocorrência de dilemas médicos e diagnósticos difíceis. Os termos médicos são bem aplicados e as escolhas de técnicas complementares de diagnóstico são importantes para o desenvolvimento do utente.

O facto de terem escolhido realizar 15 episódios e esses serem cada hora do turno, foi uma escolha de mestre, pois mostra não só que um turno é uma contagem de crescente até os profissionais de saúde irem para casa, mas também faz com que o público fique cada vez mais investido nas histórias dos utentes e dos profissionais de saúde, porque apenas no episódio a seguir, ou seja, na hora a seguir conseguimos ver o desfecho daquela história.
Em The Pitt, voltamos a ver uma cara conhecida da série ER, Noah Wyle volta a interpretar um médico, Dr. Robby. A urgência do hospital de Pittsburgh é então gerida pelo Dr. Michael “Robby” Rabonavitch, que é um profissional excelente e a sua interpretação mostra perfeitamente o equilibro entre a vulnerabilidade de trabalhar e observar traumas, mas também a determinação de ajudar as pessoas.
Em conjunto com Dr. Robby, juntam-se Dr. Heather Collins (Tracy Ifeachor), Dr. Frank Langdon (Patrick Ball) e Dr. Cassie McKay (Fiona Dourif), Dr. Samira Mohan (Supriya Ganesh), Dr. Melissa King (Taylor Dearden), Dr. Trinity Santos (Isa Briones), Dr. Dennis Whitaker (Gerran Howell), Dr. Victoria Javadi (Shabana Azeez), Dana Evans (Katherine LaNasa), Perlah Alawi (Amielynn Abellera), Mateo Diaz (Jalen Thomas Brooks) e Donnie Donahue (Brandon Mendez Homer).
Cada uma destas personagens tem o seu próprio arco pessoal, mas a forma como incorporaram as suas histórias e sofrimentos dentro deste serviço é de destacar, pois não perderam detalhe nenhum e não se tornou pesado, nem forçado.

Em The Pitt é possível acompanhar o cansaço físico e psicológico a ficarem cada vez maiores conforme os episódios vão passando, ou seja, conforme as horas do turno ficam maiores. Os profissionais de saúde ficam mais suscetíveis a colapsos e a cometer erros. Para além disto, retrata ainda a epidemia das urgências hospitalares americanas, que estão completamente sobrelotadas.
O facto da série se passar apenas num serviço de urgência restringe bastante o cenário possível para as várias cenas, no entanto, a cinematografia das cenas e a cor das imagens enquadram-se perfeitamente e não retira pontos à série. A banda sonora está encaixada de forma estratégica para enaltecer os momentos de maior vulnerabilidade e reforçar o contraste entre a adrenalina e a exaustão que os profissionais vão sentido conforme os traumas que são expostos.
Em comparação com outras séries médicas, em que existe apenas médicos que fazem todas as funções, em The Pitt, temos os profissionais de saúde a realizarem as funções para o qual estudaram e são da sua competência, e nenhum profissional de sobrepõe a outra. Outro ponto que é necessário mencionar é o facto de que trabalhar numa urgência é um trabalho de equipa que requer muita comunicação e empatia, não só para com os utentes, mas também para os colegas.

Outro ponto importante que destaca The Pitt, foi o facto de ter dividido a audiência que apenas gosta de romances, dramas e intrigas superficiais dos verdadeiros fãs da medicina.
Apesar da controvérsia à volta da série em relação a ser uma continuação indireta de ER: Serviço de Urgência, este projeto seguiu para a frente, e já existe confirmação para a segunda temporada pela HBO.
Para quem gosta de séries médicas com foco no realismo, com drama, empatia, personagens muito bem interpretadas e várias histórias à mistura que se interligam ao longo do turno, esta é a série perfeita. Mal posso esperar pela segunda temporada de The Pitt.