The Plucky Squire

Bem-vindos a Mojo, uma terra de magia e fantasia… dentro de um livro. Um reino extraordinário de páginas cheias cor e criatividade. Um lugar governado por uma magnífica monarca, a rainha Chroma. E lar de uma lenda viva: Jot, the Plucky Squire (o escudeiro valente). Mas nem tudo é perfeito nesta história… e já vamos perceber porquê.

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Dentro do livro. Imagem: The Plucky Squire/Devolver Digital

Dualidades

The Plucky Squire é um jogo que cativa de imediato com o seu conceito visual e mecânicas únicas. Desenvolvido pelo estúdio All Possible Futures, este título combina elementos de ação e puzzles, e transporta-nos para uma experiência que mistura o 2D (mundo do livro) com o 3D (a vida real) de forma bastante curiosa. Não é completamente original, pois já vimos outros jogos como Super Mario Odyssey fazê-lo de forma perfeita no passado, mas é um estilo muito bem-vindo. Esta fusão entre 2D e 3D promete brilhar, mas será que cumpre?

A resposta não é assim tão simples. É bastante óbvio desde o início que o 2D é a força deste jogo, com desenhos e arte de encantar, e que os cenários 3D apresentam-se mais pobres visualmente. Mas não há como negar que a primeira vez em que saltamos do livro (2D) para o mundo real (3D) é um momento mágico, que me deliciou. Mas rapidamente percebi que o 3D trazia problemas. Quedas de framerate, um mundo mais chato, sem a cor e brilho das páginas do livro, e pouca variedade na jogabilidade minam esta experiência “fora do livro” e só acentuam o contraste, pela negativa, entre as duas realidades.

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Imagem: The Plucky Squire/Devolver Digital

Para leitores ávidos

Já o disse, mas é mesmo impossível não sentir uma sensação de encanto quando entramos pela primeira vez no universo de The Plucky Squire. O jogo faz-nos viver dentro das páginas de um livro, num cenário onde a literatura é mais do que pano de fundo. É o palco central. Desde referências subtis que só os leitores mais ávidos vão entender, passando por clichês literários e até personagens como a literal bookworm. The Plucky Squire é um bonito tributo à leitura e ao poder das histórias e de quem as escreve. Cada detalhe parece ter sido pensado para cativar quem lê muito e esta abordagem é a alma do jogo.

O pico deste amor pela escrita é mesmo a mecânica de transformar os cenários e objetos com a manipulação de palavras. Por exemplo, há partes em que encontramos no livro frases como “a porta estava fechada” junto a uma porta que não nos deixa avançar, mas depois, procurando pelo cenário, descobrimos outra frase com “a janela estava aberta” e, roubando a palavra “aberta”, conseguimos transformar a frase sobre a porta e assim… abri-la. É simplesmente fantástico, algo que só jogando, e uma mecânica que gostava de ter visto ainda mais explorada.

Na questão da jogabilidade, há ainda a sensação de estar sempre a descobrir algo novo, mas com a segurança de poder recorrer a pequenas dicas através de personagens como o Moonbeard, que aparece para aliviar a dificuldade em momentos cruciais. Nisto, The Plucky Squire assume-se como um jogo voltado para uma audiência mais jovem, não deixando nunca os adultos de lado, pois estas ajudas são apenas opcionais (e muito bem-vindas em certos casos). No que diz respeito a outros puzzles, onde usaremos outras ferramentas que prefiro deixar para serem descobertas por quem o jogar, The Plucky Squire equilibra bem o desafio com a diversão. As missões são desafiantes, mas nunca frustrantes. Alguns mini-jogos são muito divertidos e outros nem tanto (dica: dá para fazer skip aos mini-jogos e, se o jogarem, vão perceber exatamente porquê).

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Fora do livro: o mundo 3D. Imagem: The Plucky Squire/Devolver Digital

Um livro que precisa de revisão

Há gralhas neste livro. O pesadelo de qualquer escritor. Ou bugs. O pesadelo de qualquer programador de videojogos. Foram pelo menos três as vezes em que tive de reiniciar The Plucky Squire porque algum bug simplesmente não me deixava avançar. Num deles, só como exemplo, devia ter recebido uma nova arma depois de uma boss fight, mas o objeto simplesmente não apareceu (apesar de o jogo insistir que eu o tinha, pois até os diálogos dos meus colegas falavam sobre este). A solução? Ir atrás de um save antigo e recomeçar essa parte. O próprio estúdio está ao corrente destas situações e já lançou algumas atualizações. Mas, no momento da escrita da minha análise, este ainda é um livro a precisar de revisão.

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Arte em toda a parte. Imagem: The Plucky Squire/Devolver Digital

Volume 1?

The Plucky Squire não é perfeito, e as suas ambições revelam-se tanto no bom como no menos bom. A transição do 2D para o 3D, apesar de criativa, não é sempre tão suave quanto desejamos. E isto quebra a imersão num jogo que depende muito desse encantamento contínuo. O universo 2D do livro transborda charme, com cada página cheia de personalidade. Já o mundo 3D, que deveria complementar essa experiência, acaba por parecer menos entusiasmante em comparação.

Mas este é sem dúvida um dos meus jogos favoritos deste ano e poderia muito bem ter sido o favorito. Teria brilhado bem mais se tivesse entregue uma experiência mais sólida e mais polida. Com algumas arestas por limar, que nem um primeiro livro de algum autor menos experiente, The Plucky Squire entrega um jogo emocionante, que traz boa disposição e entretém muito. Que o estúdio saiba pegar nisto e trazer um volume 2 mais revisto. The Plucky Squire, como muitos bons livros por aí, tem tudo para se tornar numa saga de sucesso. O potencial está todo lá, dentro das páginas coloridas.

The Plucky Squire
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Lançamento: 2024-09-17
Distribuidora:
8.5
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Filipe Branco
Fã de cultura geek em geral, mas é nos livros, videojogos e cinema onde mais me perco. Adoro escrever sobre o que me apaixona e eventos de gaming é comigo. Podem encontrar-me online ou à deriva num dos extensos corredores da próxima Gamescom.

Colaboraram neste artigo

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