Time Takers apresenta-se como uma proposta ousada dentro de um género já bastante saturado, um “fast paced shooter”, mas fá-lo com uma ideia central que realmente se destaca: o tempo como recurso vital. Mais do que uma simples barra de vida, o tempo influencia diretamente a progressão, os upgrades e até a sobrevivência da equipa, criando uma dinâmica estratégica constante onde cada decisão tem peso. Esta mecânica traz uma sensação de risco e “punishment” mais intensa, elevando o envolvimento em cada partida.

O jogo conta também com uma diversidade interessante de heróis (12 para ser mais preciso), todos bem desenhados e com identidades próprias. A interação entre diferentes tempos ou épocas, onde temos personagens desde medievais a figuras futuristas ou espaciais, dá ao jogo uma personalidade única e visualmente apelativa. Existem 10 armas diferentes e um enorme sistema de upgrade reforça ainda mais a identidade única do jogo, permitindo assim combinações inesperadas e garantindo que cada partida possa ser jogada de forma diferente.

No entanto, sendo ainda um closed beta, há aspetos que precisam de maior cuidado e algum polimento. A curva de aprendizagem é enorme se fores novo, especialmente neste tipo de shooters. Existem tutoriais iniciais que te ajudam, mas assim que entras no modo multiplayer, esqueces-te de tudo; nem tens tempo para ler os upgrades e as modificações que podes comprar. E não te esqueças: como estás a gastar tempo (que também é vida), todas as decisões acabam por ser de extrema importância. Além disso, a experiência parece claramente desenhada para jogares com amigos de forma coordenada, jogar com desconhecidos pode limitar bastante o potencial estratégico e a diversão. A nível visual, o teu ecrã vai estar SEMPRE cheio de informação, as primeiras partidas podem tornar-se caóticas, com alguma dificuldade em identificar inimigos, aliados ou recursos que podes apanhar no meio do ambiente, algo que acredito que será melhorado com maior clareza visual com novos updates.

Os mapas do jogo são visualmente muito apelativos. Não são estáticos: parecem vivos e estão sempre com acontecimentos e novos recursos espalhados para manter os jogadores em movimento. Contamos, neste momento, com 3 zonas de combate (Yokogawa, Morstadt e Miraesi) e cada uma tem a sua identidade: um estilo japonês, um medieval e, por fim, um futurístico (que, para mim, é o mais clean a nível visual). Os mapas e as personagens acabam por criar um ambiente interessante, pois nunca pensamos em ver um cavaleiro medieval num cenário futurístico a combater contra um macaco astronauta.

No geral, Time Takers encontra-se num caminho muito interessante. Entra num mercado dominado por nomes como Overwatch, Call of Duty, Apex Legends ou Marvel Rivals, mas a sua mecânica de tempo e sistema de upgrades podem ser exatamente o fator diferenciador de que precisa. Os personagens muito únicos e diversificados, também é um ponto que pode vir a ser chave. É um jogo claramente à procura do seu espaço, e com capacidade de o conquistar, tem potencial real para bater de frente com grandes nomes, mas acredito que precisará de polimento, mais ajuda para iniciantes e muito importante, ouvir os jogadores. Resta agora ver como evolui até ao lançamento e que nível de polimento irá atingir.
Para já, fico curioso… e atento para ver quando tempo este jogo me poderá roubar!