Tiny Epic Dungeons – Dungeon Crawler em ponto pequeno
Publicado a 11 Set, 2022

Mais um joguinho fresquinho para alegrar o vosso dia! Desta vez trago-vos mais um jogo da saga Tiny Epic. Já tive oportunidade de jogar alguns e, inclusive, de escrever sobre alguns e deixem-me dizer que ainda não sei bem onde o colocar. Não em termos de espaço na estante, claro, mas em termos de gosto pessoal. Não me interpretem mal, gosto imenso das ideias e mecânicas que a saga introduz, mas sinto que existe sempre qualquer coisa que fica de fora resultante da enorme redução da escala de cada um dos jogos. Dungeon Crawlers, no geral, são grandes, com tabuleiros enormes que ocupam imenso espaço na mesa, com imensa rejogabilidade e modos de jogo. Será que a Gamelyn Games conseguiu fazer o impensável e trouxe um jogo deste estilo numa produção tão pequena? Bem, mais ou menos. Vejamos!

Primeiro, vamos fazer uma introdução geral do jogo.

Tiny Epic Dungeons é, como disse, um Dungeon Crawler. Isto significa que o jogo tem por objetivo chegar ao final da gruta que estamos a explorar e matar o Boss do final do jogo. Em regra, essa tarefa não é fácil e a mesma coisa acontece aqui. Cabe ao jogador fortalecer a sua personagem o máximo possível para que possa ter sequer a chance para matar o Boss. A vida do Boss irá depender do número de jogadores, sendo que quanto mais jogadores estiverem em campo, maior é a vida do Boss. Antes de conseguirmos desafiar o Boss do nível, teremos de o encontrar. Assim, o jogo divide-se em duas parte: uma primeira era – a era dos descobrimentos; e uma segunda era – a era do desafio.

A primeira era do jogo é bastante simples: cada uma das nossas personagens terá de realizar ações que estarão à sua disposição no início de cada turno. Acompanhado de uma carta com as características de cada uma das personagens, estão as habilidades, pontos de vida e de defesa de cada uma delas, sendo que todos são diferentes uns dos outros. Por vezes, as diferenças não são muito notórias, mas são o suficiente para o jogador sentir que está a jogar com uma personagem diferente sempre que muda. Além disso, existe uma miniatura diferente para cada uma delas. Aproveito para referir que estas miniaturas são um pouco frágeis. Uma delas chegou cá a casa partida, problema que foi rapidamente resolvido com super cola. Ao movimentar as personagens, vamos descobrindo cada vez mais o mapa, sendo que este se vai desvendando à medida que vamos progredindo, ou seja, o mapa não está aberto logo desde o início do jogo. Isto pode ter influência em imensas decisões do jogador que decide explorar, pois, se tiver pouca vida, se calhar, não convém andar em aventuras.

A segunda fase, depois de descoberta a base do Boss é a fase do desafio. Tal como as personagens, cada boss tem as suas características. No entanto, não existem apenas bosses no jogo. Também existem pequenos inimigos para impedir a progressão do jogador pela gruta.

E é basicamente isto malta. Explorar, ficaram mais fortes e depois, derrotar o boss para vencer o jogo. Simples, não é? Bem, nem por isso, mas irei dar a minha opinião já de seguida. O que importa para já é a pequena análise geral do jogo.

Sobre o melhoramento da personagem, esta pode ser feita através do recurso a armamento ou armaduras e ainda a feitiços, tal e qual como outos jogos semelhantes, mas de muito maior porte. A produção do jogo para uma caixa tão pequena é fascinante e o jogo base pode ainda ser acompanhado de uma expansão que vou agora, também, introduzir para ficarem a saber todo o conteúdo que esta traz. Tiny Epic Dungeons Stories é uma expansão que adiciona mais conteúdo ao jogo base, não apenas pelo incremento de personagens, mas também pela adição de mecânicas. Com esta expansão é possível adicionar desafios extra ao jogo em forma de cartas de história. Estas cartas adicionam mais uma tarefa a realizar antes de desafiar o boss do nível. Esta expansão adiciona ainda, tal como referi, mais personagens, cartas de melhoramento e bosses ao jogo base. Não aconselho esta expansão nas primeiras jogadas, mas quando quiserem apimentar o jogo, esta expansão é a melhor opção.

Veredito

Tiny Epic Dungeons tenta simular um dos meus géneros favoritos de jogos de vídeo: uma mistura de RPG com Metroidvania. No entanto, não sei se o mundo dos jogos de tabuleiro será o melhor lugar para o fazer. A tecnologia que envolve os videojogos aumenta imenso o estilo e a jogabilidade neste tipo de universos e géneros. Basta olhar para alguns títulos para repararmos que Dungeon Crawlers em tabuleiro ficaram sempre aquém daquilo que pode ser no grande ecrã: Binding of Isaac; Hades; Hollow Knight; Dead Cells entre outros. Estes são apenas pequenas amostras de videojogos que serão muito difíceis de passar para o tabuleiro. Outra coisa que vai muito contra este tipo de jogos de tabuleiro, na minha opinião, é a possibilidade de gravar o progresso e lamento para aqueles que têm de apontar tudo num caderno para o fazer. Um jogo de tabuleiro é suposto ser divertido e não dar trabalho. No limite, pode ser aborrecido de montar, mas é contraproducente se o jogo é frustrante de montar, de levar para a mesa e ainda, de jogar.

Remetendo agora a minha análise para o jogo em causa, Tiny Epic Dungeons parece simular parte daquilo que jogos de vídeo já fazem há algum tempo e muito melhor do que jogos de tabuleiro alguma vez farão. Não quero com isto dizer que é um mau jogo. Para os amantes deste estilo, tenho a certeza que vai ser uma ótima adição à coleção, por diversos motivos. Desde logo, porque tem um tamanho reduzido. Depois, o tempo. É rápido a montar e tem um tempo de jogo aproximado de uma hora. Além disso, não é difícil de aprender. Por outro lado, nem tudo são rosas: tanto a rejogabilidade como a iconografia sofrem um pouco devido ao tamanho reduzido dos componentes que, embora de qualidade, são pequenos. As cartas, principalmente, têm imensa informação e ícones.

Em suma, Tiny Epic Dungeons entrega aquilo que tenta transparecer, mas com alguns senãos. No entanto, acho que é um bom título introdutório para aquela pessoa que sempre ficou de fora deste género – tipo eu – para testar e ver se gosta.     

Esta análise foi possível com o apoio da Gamelyn Games!
Tiny Epic Dungeons
Bom
Criador:
Jogadores: 1-4 Duração: 00H30M (30-60 min min)
Lançamento: 2021
Temática:
Distribuição:
7.5
  • Positivo
  • Muito conteúdo para uma caixa tão pequena, como seria de esperar;
  • Componentes de imensa qualidade;
  • Imensas personagens principais para escolher.
  • Negativo
  • Montagem do tabuleiro pode ser um pouco frágil;
  • Cuidado com as miniaturas ao fechar e transportar a caixa de jogo.
Escrito por:
Joel Henriques
A crescer com o Pokémon desde os cinco anos, apresento-me como um amante incurável do mundo dos videojogos e jogos de tabuleiro. Tenho como objetivo principal, em cada artigo que publico, escrever de forma a transmitir uma opinião simples, mas completa, para que todo o tipo de jogadores sinta que seja como se estivesse, ele próprio, a jogar. Acima de tudo, divirtam-se!