To Your Eternity

Do sofrimento vem crescimento

Contem spoilers

To Your Eternity teve a sua primeira temporada lançada em abril de 2021 e contém vinte episódios. Este anime é produzido pelo estúdio estúdio Brain’s Base, o mesmo produtor de Natsume Book of Friends e My Teen Romantic Comedy (SNAFU). A mangaka Yoshitoki Ooima para além deste anime, também escreveu e desenhou o manga A Silent Voice.

Inspirada pela morte da avó, a mangaka escreve sobre a sobrevivência e Fushi, que inicialmente é uma pedra lançada para a terra que consegue fazer apenas duas coisas: transformar-se noutras formas e reviver-se a ele próprio. Este anime é uma história de um ser vazio que ganha individualidade ao envolver-se com outras pessoas de todas as idades (crianças, idosos, adolescentes).

Este anime é uma jornada que se desenrola por diversos arcos, nos quais o protagonista encontra pessoas que o ajudam a compreender a essência humana, a conviver com os outros, a pensar como um ser humano e a evoluir emocionalmente. Após a morte dessas pessoas, ele adquire a capacidade de se transformar nelas e herda suas habilidades.

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No início da série, somos apresentados a uma jornada que começa com uma simples pedra, musgo, evoluindo para um lobo chamado Joaan, que se torna companheiro de um jovem. Ao longo da história, acompanhamos a evolução do lobo, aprendendo a se alimentar como um animal e a se relacionar com o rapaz. O ser, que representa uma metáfora para a jornada emocional, segue ao lado do rapaz, testemunhando suas profundas emoções, desde a aceitação e tristeza por deixar algo para trás até o sonho de encontrar um lugar melhor para sua aldeia. Através dos olhos e sentimentos de Joaan, somos envolvidos nessa narrativa de sofrimento que gradualmente se transforma em uma personalidade positiva e cheia de esperança no jovem. Esse arco, uma história curta que se desenvolve em apenas um episódio perfeito, conquistou a atenção de inúmeras pessoas, levando-as a começar a assistir o anime.

No segundo arco, somos transportados para uma aldeia situada no meio da floresta, onde o protagonista encontra March, uma jovem que foge de sua responsabilidade de se tornar sacrifício para um urso gigante. Esta menina corajosa encontra comida para Fushi e ensina-o a comer com as mãos, além de lhe ensinar a expressão “obrigado”. March assume um papel maternal na vida de Fushi, dando-lhe o nome e desempenhando um papel semelhante ao dos pais ao criar a identidade de uma pessoa e ensinar-lhe as habilidades básicas da vida, como comer e falar.

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No terceiro arco, o protagonista encontra uma adorável senhora chamada Pioran, que o ensina novas palavras e a arte de desenhar mapas. Nesse momento, ele também se depara com seu criador, The Beholder, cujo objetivo é preservar o mundo das ameaças das criaturas chamadas Nokkers, que desejam destruir tudo. Quando Fushi acompanha Pioran até ao seu destino, uma loja pertencente a um velho excêntrico que vende sake e realiza experiências, ele conhece Gugu, uma criança que sofreu um acidente e foi salva por ele. Gugu torna-se um guia para Fushi, ensinando-o a cozinhar e cuidar das tarefas domésticas da loja. A relação entre eles assemelha-se à de irmãos, contribuindo para o crescimento emocional de Fushi e para aprofundar o seu conhecimento sobre as suas habilidades.

A partir deste arco, começam a aparecer as lutas repetidas com os Nokkers e há uma transição do anime de maioritariamente drama para um de shounen, focado em melhorar as capacidades de luta de Fushi para conseguir lidar com a ameaça existente e salvar as pessoas.

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No quarto arco, ao viajar de barco, é aldrabado e vendido como escravo numa ilha prisão na qual a única saída é vencer as lutas na arena. Ele conhece muitos dos prisioneiros da ilha e algum dos seus sofrimentos. Este arco é o mais longo e o pior deles todos em termos de construção emocional. Somos apresentados a imensas personagens, mas nenhuma delas marcante e sem tempo para serem desenvolvidas. Os momentos que poderiam ser mais interessantes — os de luta — também são medíocres devido à deterioração da qualidade de animação.

Como crítica e um aspeto negativo, ao longo do anime, algumas personagens são introduzidas de forma superficial apenas para serem posteriormente mortas, a fim de impulsionar a progressão emocional da história e do protagonista. Esse recurso típico de manipulação de emoções é utilizado, em que momentos antes da morte, há um desenvolvimento da caracterização das personagens, revelando os seus sonhos futuros ou eventos do seu passado, com o objetivo de causar um impacto emocional mais intenso na audiência. Além disso, também reforça o peso que Fushi carrega ao levar consigo os desejos futuros daqueles que o ajudaram. Essa abordagem resulta num misto de personagens bem desenvolvidas e outras que são facilmente esquecíveis ao longo da trama.

A banda sonora é ideal para criar momentos de suspense, tristeza ou ação nas lutas. A animação é bastante boa em construir o ambiente em volta, mas é impressionante nas expressões faciais e a demonstrar o sentimento das personagens. Também a qualidade de animação flutua ao longo da temporada, começa excelentemente e vai a decair no arco da prisão.

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To Your Eternity consegue capturar emoções muito fortes no primeiro arco, na relação com o rapaz e, na minha opinião, também com o Gugu. Mas esse nível nem sempre se mantém ao longo do anime, ao passarem por várias personagens e nem todas têm o mesmo impacto. Algumas com a história divergindo para outras personagens inconsequentes, estendendo apenas a narrativa dando pouca importância e tornando-se simplista, demonstrando um grande nível de inconsistência na qualidade do anime. Apesar disto, To Your Eternity marcou-me o suficiente para me lembrar dele até agora e me fazer ver a segunda temporada.

To Your Eternity

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Ano: 2021
Realizador:
Episódios: 20 Tipo: serie
Estúdio:
7
Picture of Filipa Gil
Filipa Gil
Geek desde pequenina, primeiro pelo anime, depois jogos e séries. A minha maneira favorita de relaxar é dar binge a uma boa anime, série ou filme. Este hobby passou de umas horas por semana para uma grande parte da minha vida e guarda-fato.

Colaboraram neste artigo

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