Três Vezes Adeus – Uma análise ao novo drama de Isabel Coixet

Isabel Coixet tenta abordar a dor da separação e a inevitabilidade da morte, mas falha em criar uma ligação emocional genuína com o espectador neste novo drama.
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Depois de uma discussão banal, Marta (Alba Rohrwacher) e António (Elio Germano) decidem colocar um ponto final no casamento. Ela, consumida pela separação, fecha-se em si própria; ele refugia-se no seu trabalho sem conseguir esquecê-la. Ao descobrir a causa dos sintomas que julgava serem naturais do fim da relação, Marta volta a sentir, ver, ter desejos e certezas.

“Três Vezes Adeus” é um filme profundamente consciente das suas intenções. Isabel Coixet assume o ponto de partida de forma clara: é um retrato íntimo sobre a despedida, a serenidade na dor, a inevitabilidade da morte e a importância das pequenas coincidências que acabam por dar sentido à existência. É uma obra que procura emoção no quotidiano, no silêncio e nos gestos mínimos. O problema é que, apesar de todas essas intenções, eu pessoalmente, não senti grande coisa.

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A principal falha do filme está precisamente aí: na incapacidade de criar uma verdadeira ligação emocional. As personagens raramente parecem humanas o suficiente e as suas dores nunca ganham o peso necessário para nos envolver. Há momentos em que sentimos que o filme quer desesperadamente ser honesto e sensível, mas acaba por permanecer distante, quase artificial. Marta, a personagem que carrega o peso de nos mostrar todos os temas que mencionei acima, é constantemente colocada em narrativas paralelas que nunca (literalmente) são exploradas. A irmã traiu o marido, as alunas refugiam-se na companhia uma da outra para passarem por problemas psicológicos, a doutora que a acompanha nos tratamentos parece ter algum tipo de ligação especial com ela, o professor de ciências parece gostar dela desde sempre… e Coixet vai abordar todas estas situações exatamente com a mesma profundidade com que eu acabei de fazer: com uma ou duas linhas de texto enfiadas à força na narrativa principal da personagem que parece ser apenas existir, entre diferentes situações nostálgicas e tristes. O resultado é uma longa metragem de quase duas horas que ameaça constantemente tocar em temas importantes sem nunca os explorar verdadeiramente.

Além disso, há pequenos capítulos narrativos que parecem introduzidos apenas para criar atmosfera ou simbolismo, mas que acabam esquecidos ou sem qualquer conclusão satisfatória. E parecendo que estou a tocar no mesmo ponto que mencionei anteriormente, tratam-se de coisas diferentes, no sentido em que para retratar solidão, a história recorre constantemente ao artifício visual de que Marta desabafa com um humano de cartão à escala real, por exemplo. Vale deixar a nota que nunca tive contacto com a obra literária que inspirou este filme e, como tal, não sei como se sucede na mesma, no entanto, é um dos casos que creio que haviam formas mais interessantes de passar a mensagem sem caminhar constantemente no limiar da comédia, coisa que, ou se assumia a 100% ou se retirava por completo de um filme deste género.

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Ainda assim, o filme não deixa de ter qualidades evidentes. A cinematografia é muito bonita, especialmente na forma como trabalha as texturas e a luz. A utilização ocasional de pequenos excertos em película acrescenta uma sensação de memória e nostalgia que funciona muito bem dentro do tom do filme. E, em certos momentos, a realização de Coixet mostra uma delicadeza visual genuína, capaz de criar imagens bonitas mesmo quando a emoção falha.

No fim, “Três Vezes Adeus” é um filme que admiro mais pelas intenções e pela estética do que pela experiência emocional que me proporcionou. Quer fazer-nos sentir a urgência da vida, mas acaba por passar ao lado daquilo que talvez seja mais importante: fazer-nos sentir… qualquer coisa.

Três Vezes Adeus

Tre Ciotole
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Lançamento: 2026-06-11 Ano: 2026
Realizador: Argumento: ,
Distribuidora:
5.5
Picture of Tomás Sena
Tomás Sena
Todos me chamam Tommy, “Tomás Sena” é só para parecer mais profissional. Apaixonado por cinema desde que me conheço por gente, gosto de escrever e dar a conhecer aos outros o que a sétima arte me dá a conhecer a mim. O rapaz que pegou num livro, com 9 anos, na biblioteca da escola, devido ao simples facto da sua capa ser apelativa, e esse simples gesto mudou para sempre a sua vida. O livro, o terceiro da, ainda hoje minha favorita, saga Harry Potter, moldou o rapaz, tornando-o num verdadeiro geek, que hoje escreve do seu quarto cheio de Pop Figures como testemunhas. Sempre pronto para o próximo livro, filme, série… para a próxima história que me fará mergulhar num novo universo e sempre decidido a defender a tese de que Pulp Fiction é o melhor filme já feito.

Colaboraram neste artigo

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