Underworld: A morte não é o fim?

Naomi acorda num pós-vida perverso após o suicídio. Mais do que uma história sobre a morte, este manga da Dangan Magazine é sobre resiliência mental e a luta para voltar à vida.
blank

“Em vez de encontrarem paz, aqueles que se atrevem a tirar a própria vida são atirados para um pós-vida perverso onde a realidade está fraturada e é incompreensível. Arrependida pela sua decisão, Naomi luta desesperadamente pelo caos e terror numa tentativa de recuperar a vida que perdeu”

Este é o prefácio de uma das mangas vendidas pela Dangan Magazine Comics. Era uma das histórias da Dangan que eu andava com mais atenção, por isso, mal chegou o volume físico, li o numa tarde.

Naomi, acorda num hospital deteriorado, não sabendo como foi parar ao mesmo, até que foi informada por uma “freira” que ela tinha vindo parar ao submundo por cometer o pior pecado de todos: suicídio, e a única coisa que lhe espera é sofrimento eterno.

Esta freira, que também se encontra presa no inferno, considera-se um anjo, uma salvadora, e diz a Naomi que tem uma maneira de a matar de uma vez por todas, para não ter de sofrer com vida eterna. Naomi diz que não, de forma um pouco menos do que simpática, o que acaba por levar a uma perseguição no hospital, com Naomi a sair com ferimentos graves.

É aqui que a história começa a ficar mais interessante e introduz o segundo protagonista Ichiro, que a salva e rapidamente lhe explica as regras deste mundo perverso. Nomeadamente, a que me chamou mais a atenção foi logo a primeira.

“Aqui a tua mente é mais importante que o teu corpo”. Achei engraçado, em termos temáticos. No mundo real, suicídio pode acontecer devido a várias circunstâncias, quer seja depressão, trauma, ou qualquer outro tipo de eventos que sobrecarga uma pessoa. Mas aqui, nesta história, parece que estão a dizer que a habilidade destas personagens andarem para a frente depende da resiliência mental delas. Não as julga pelo que aconteceu no passado e como elas vieram parar aqui, mas sim como andar e sobreviver o que vem a seguir. Embora o cenário seja de sofrimento, as personagens não estão impotentes. E penso que isto é muito interessente e uma excelente abordagem tendo em conta o tópico.

A própria freira é uma narradora não confiável. Projetou a sua própria ilusão na personagem principal, utilizando as suas crenças religiosas para tentar influenciar Naomi, de como a podia salvar do sofrimento eterno. E Naomi, simplesmente recusou essa noção. Escolhe resiliência, recusa-se a quebrar. O sofrimento torna-se num obstáculo, não é algo escrito em pedra.

Ichiro quer levar Naomi para a sua comunidade, uma aldeia dentro do submundo, mas são novamente atacados pela freira. E isto… nem chega a metade do livro.

Mas um elemento que me apanhou de surpresa foi a questão toda das “Marcas da Morte”. Uma representação de como as pessoas chegaram ao submundo, e a Naomi… não tem uma, o que pode ser a sua saída para o mundo dos vivos! É a peça central da narrativa, e é introduzida quase no final do volume.

Eu adorei ler este manga. Alias, voltei a reler ao escrever este artigo, e penso ter apanhado certos simbolismos e conexões desde o início.

Uma história bem estruturada, com uma personagem principal proativa e um sistema de poderes interessante.

Não é uma história sobre morte, mas sim sobre o que escolhes fazer depois de teres chegado ao fundo.

Underworld

blank
Lançamento: 2026-05-01 Ano: 2026
Autores:
Distribuidora:
9
Picture of Sara Repolho
Sara Repolho
Uma apaixonada por jogos retro, banda desenhada e tudo o que faz parte da Cultura Geek. Tenho um interesse especial em animação, e vejo a mesma como um meio para contar mais histórias, e não só como um género de filme. E digo sem medo: a DC é muito melhor que a Marvel!

Colaboraram neste artigo

PUBLICIDADE

Últimos artigos

PUBLICIDADE

Achamos que também podes gostar disto

PUBLICIDADE