Um filme de animação espanhol escrito por Alberto Vázquez, que ganhou dois prémios como melhor filme de animação. Unicorn Wars tem cenas bastante explícitas de mortes e cheio de ursinhos fofinhos que estão no meio de uma guerra com os unicórnios numa floresta misteriosa.
Unicorn Wars segue dois irmãos ursinhos que se alistam num rigoroso campo militar, onde são treinados para um iminente conflito com uma antiga espécie rival. Entre rituais, doutrinas religiosas e uma liderança opressiva, cresce o ódio e o fanatismo dentro da comunidade dos ursinhos.
O conflito começou quando os ursinhos, após descobrirem um livro sagrado que os orientava a criar uma comunidade exclusiva, tentaram dominar a floresta e foram expulsos pelos unicórnios — já que, segundo o livro, o ursinho escolhido que beber o sangue do último unicórnio tornar-se-á um deus e assumirá a forma mais bela da Terra. O ódio pelos unicórnios está bastante presente entre os ursinhos, e cultivado pelo sargento Caricias e pelo padre da comunidade.
Os dois irmãos têm personalidades opostas: um é frio, ambicioso e impulsivo; o outro é sensível, empático e pacifista. Essa diferença torna-se cada vez mais evidente à medida que a guerra se aproxima, gerando tensões dentro do grupo e pondo à prova os laços familiares.



À medida que a história avança, a missão que os leva à floresta transforma-se numa jornada brutal marcada por violência, perda e revelações. No centro do conflito, surge uma lenda antiga — a promessa de poder absoluto para quem cumprir uma certa profecia.
Visualmente deslumbrante e emocionalmente intenso, Unicorn Wars é uma fábula distorcida sobre guerra, fé, ambição e fraternidade, onde nem sempre os mais fofinhos são os mais inocentes.
Este filme aponta muito para a cultura fascista militar e da crueldade que pode existir no mundo. A sede de vingança é algo que pode levar a ações cruéis e drásticas, com consequências inevitáveis. O seu foco de mostrar o ódio e fazer uma sátira religiosa é bastante óbvia deste o início, com o livro ao qual estes ursos seguem e o padre que faz propaganda ao mesmo.

Os ursos são extremamente fofinhos e é totalmente o oposto do que mostram no filme. Existem muitas cenas de mortes bastantes sangrentas entre os ursos e os unicórnios. Este aspeto é o que torna o filme mais tolerável e menos agressivo aos olhos, pois caso fossem humanos iam ser muito mais impactante e gore.
A animação de Unicorn Wars vai mudando ao longo do filme como também a palete de cores da mesma. Quando existe o primeiro massacre dos ursinhos na floresta as cores tornam-se mais frias e sem cor, mas quando mostram os unicórnios estes têm cenários com cores vibrantes e uma animação mágica. Tal como no final, que quando Azulin/Bluey se torna um humano este apresenta cores cinzentas e num mundo cinzento, totalmente oposto aos ursinhos fofinhos que têm cores vibrantes e felizes, azuis e cor-de-rosa.
Gostava que o filme tivesse uma menor duração pois senti que estavam a esticar demasiado a história em certos momentos do filme. O pacing era por vezes lento, o que com a duração alongada do filme e o tipo de história, torna-o um pouco pesado.
Unicorn Wars está cheio de ação, luta, violência e aventura não sendo apropriado para todas as faixas etárias, nem para todo o público acima dos 18 anos, pois nem todos apreciam um filme gráfico com sangue e muito gore.
Apesar de serem ursinhos e não ser tão difícil de “ver” e lidar, muitas pessoas não vão gostar de verem cenas de horror explicitas.
Esta visão da guerra com ursinhos fofinhos foi muito bem feita e tentou mostrar, de uma forma incrível e bem concedida, o lado pesado e negro das crenças, tal como as consequências de atos grotescos e cruéis. Não só por parte do exército, mas também de inveja, racismo, bullying e muito mais.