Depois de ter sido lançado em julho de 2023 para PC e PS5, e de ter chegado posteriormente à PS4 e às consolas Xbox, Viewfinder chega finalmente às mãos dos jogadores da Nintendo, trazendo consigo todas as mecânicas que maravilharam aqueles que decidiram experimentar esta pequena pérola.
Na altura em que foi lançado, o jogo foi bastante bem recebido não só pelos jogadores, mas também pelos críticos, tendo sido nomeado para vários prémios, incluindo Melhor Jogo Indie e Melhor Jogo Indie de Estreia no The Game Awards, onde acabou por perder para Sea of Stars e Cocoon, o que só mostra a enorme qualidade que foi o ano de 2023.

Dá gosto esta perspetiva
Viewfinder destaca-se pelos seus puzzles e pela forma inovadora como são solucionados, recorrendo à perspetiva e à fotografia a favor do jogador. Em 2019 saiu um jogo que trouxe a mecânica da perspetiva para a ribalta: Superliminal. E há que dizer que, nesse aspeto, Viewfinder conseguiu pegar no melhor de Superliminal e acrescentar-lhe personalidade própria.
Seria de esperar que a sobreutilização desta nova mecânica pudesse trazer fadiga ao jogador após algumas horas de jogabilidade, mas o estúdio soube gerir bem esse risco, introduzindo novas variáveis ao longo da experiência.
Viewfinder encontra-se dividido em cinco “mundos”, cada um associado a uma das personagens apresentadas através de textos e gravações de voz, que revelam a sua tentativa de encontrar uma forma de salvar o planeta e o seu clima. Em cada um destes mundos são apresentados puzzles com variáveis distintas, mas sempre centrados na fotografia e na perspetiva. À medida que progredimos, os desafios tornam-se mais complexos, combinando diferentes variáveis e tornando a experiência cada vez mais desafiadora, mas também bastante estimulante.

Uma experiência sempre à mão
O jogo nunca foi conhecido pelos seus gráficos super realistas, por isso, mesmo com a Nintendo Switch 2 a oferecer maior capacidade de processamento, tanto a nível gráfico como de performance, não há grandes surpresas: o jogo corre praticamente às mil maravilhas. Seja em modo docked ou em modo portátil (como o joguei na grande maioria do tempo) a experiência mantém-se estável e fluída.
Seria de esperar um maior downgrade a nível gráfico e de performance no modo portátil, mas a consola comporta-se muito bem nesse aspeto. Felizmente, não encontrei quaisquer problemas de performance ao longo da jogabilidade — sem quebras ou entraves. Graficamente, é verdade que o jogo perde alguma nitidez, mas nada que, a meu ver, interfira de forma significativa com a experiência do jogador.
Este jogo é perfeito para a portabilidade da Switch 2, todo o seu conceito e direção artística parecem pensados para esse tipo de experiência. Por não exigir demasiado da capacidade da consola, o jogador pode levar os puzzles para qualquer lugar sem perder a essência da experiência original. E nada melhor do que ficar preso num nível e mudar de ares para refrescar as ideais, digamos assim.

Falhas que necessitam de solução
Com isto tudo, não quero dizer que a experiência foi perfeita. Apesar de não ter encontrado problemas de performance ou gráficos, o jogo apresenta alguns glitches que espero que sejam corrigidos em futuros patches. Durante a minha jogabilidade deparei-me com dois em particular que, em certos momentos, acabaram por quebrar um pouco a imersão que estava a sentir.
O primeiro ocorreu durante as interações com a personagem Cait (vão adorar a personagem e felizmente o jogo traz a possibilidade de lhe dar festas). Sempre que utilizava o teleférico que liga os diferentes “mundos”, Cait começava a falar, mas simplesmente não aparecia. Caso mantivesse o olhar fixo no local onde ele deveria surgir, ele nunca se materializava, apenas quando desviava o olhar é que finalmente aparecia. Uma situação estranha e que, embora não comprometa a jogabilidade, quebra um pouco a experiência.
Mas o segundo já é um pouco mais grave e compromete a jogabilidade. Se estivermos a fazer o nível e reparamos que estivemos a fazer mal este tempo todo e quisermos voltar atrás utilizando a mecânica de retroceder que o jogo nos oferece, muitas das vezes as próprias fotografias que deveríamos ter até aquele ponto que retrocedemos, elas desaparecem, quer dizer, elas estão no inventário, mas não as conseguimos utilizar, como se tivessem corrompidas. A única solução é retroceder até ao início do nível, o que acaba por gerar frustração desnecessária, sobretudo em puzzles mais longos.
No geral, este novo port oferece aos jogadores a oportunidade de experienciar Viewfinder de novas formas, sobretudo graças à vertente portátil, que aqui funciona como uma grande vantagem, sem que a experiência global fique muito aquém das versões anteriormente lançadas em consolas mais poderosas. Pelo preço a que é apresentado, torna-se sem dúvida uma opção a considerar.