Vinland Saga – Além da vingança, está a redenção

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A primeira temporada do anime Vinland Saga é uma ode triunfal à condição humana que nos divide entre o binómio de vingança e paz.

Criado e desenhado com base no Manga de Makoto Yukimura, o estúdio MAPPA (responsável pela produção de animes de renome, tais como Shingeki no Kyojin – Attack on Titan; Jujustsu Kaisen; Kategurui ou Chainsaw Man), adaptou-a a anime, estando atualmente disponível na Netflix, Crunchyroll e Amazon Prime.

A primeira temporada é recomendada a quem procura uma boa narrativa ou quem busca uma enorme aventura visual. A história, enquadrada no século XI, é ambientada na região de Danelaw (nome dado à parte da Grã-Bretanha durante a guerra entre Anglo-saxões e Normandos), acompanhando a acensão do Canuto “O Grande” a Rei e da personagem principal, Thorfinn, um jovem que jura vingança contra Askeladd, o assassino do seu pai.

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A primeira temporada, com 24 episódios, segundo a apreciação global, conta no IMDb com uns impressionantes 8.8 pontos, e no Rotten Tomatoes está classificado com 93% de audience score.

Não será para mais indicar ou recomendar vivamente o anime, pois, para qualquer pessoa que goste de história ou que aprecie a cultura Viking terá imenso prazer de o ver.

Com uma narrativa clara, é possível compreender as motivações da vingança de Thorfinn, uma vez que a dinâmica inicial é a de desafiar e contradizer as lições do seu progenitor. Com apenas 6 anos, decide esconder-se num barco, em que o seu pai seguia para combater os anglo-saxões. Uma vez descoberto (e depois de levar uma enorme reprimenda), a tripulação vê-se obrigada a ter que navegar para a costa, uma vez que os Vikings não levavam crianças menores para a guerra. É nessa viagem que a embarcação é apanhada, de surpresa, por um grupo de mercenários liderados por Askeladd, um homem astuto e com especial habilidade no manejo de espadas. Assim, Thorfinn causa, indiretamente, a morte do seu pai, devido à sua tentativa inocente, típica de criança, de provar que já era um homem e que estava pronto para a guerra.

Depois de capturado pelos mercenários, Thorfinn, sozinho, vê-se obrigado a sobrevier num mundo hostil. Sem qualquer tipo de ajuda e sendo ainda uma criança, acaba por ter que caçar para mitigar a fome, movido pela necessidade de se vingar. Como forma de se redimir, de maneira a perdoar-se pela sua ação de insurreição paternal, a personagem principal segue e acompanha o grupo de mercenários de Askeladd. Desafiando-o para um duelo, ao mais bravo estilo viking, Askellad obriga Thorfinn a trabalhar no seu grupo, prometendo o duelo quando este provasse o seu valor.

Estranhamente, mas de forma intrigante, somos assim transportados para um mundo onde vemos crescer uma criança inocente num jovem mercenário assassino, pilhando, roubando e matando aldeões como forma de provar o seu valor a Askeladd. Cego pela vingança, Thorfinn não toma consciência das suas ações, tornando-se num ser humano sem escrúpulos. Muitas das ações cometidas tornam-se arrepiantes, fazendo-nos refletir sobre os nossos limites e até onde iríamos para provar o nosso valor, quer seja para um parente familiar, um grupo de amigos ou até mesmo para o mundo. Por esse motivo, o anime torna-se interessante, acrescentando uma dimensão emocional forte, que afeta direta, ou indiretamente, os nossos sentidos e nos faz pensar nos limites da moralidade e ética, num mundo dividido entre cristãos e pagãos, onde o bem e o mal andam sempre lado a lado. Onde julgamos estar a semente do mal, revemos que há sempre uma luz do bem, e onde achamos que existe somente o bem há espaço para as trevas.

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Num plot de constantes tramas políticos e de ações históricas precisas, surge a história do príncipe Canute, um jovem devoto a Deus, que tinha como sonho de unificar os reinos da Gra-Bretanha e da Dinamarca. As personagens acabam por se aliar, chegando a ter uma audiência com o Rei. Numa verdadeira coincidência de factos, a história, trágica, termina de forma brutal, tendo seguimento na segunda temporada, ainda em lançamento semanal. Thorfinn compreende que a vingança não é, nem deve ser, motor que nos faz viver e sobreviver na vida. Embora enquanto seres humanos, não podemos nem conseguimos, emocionalmente, lutar por uma razão que nos faça pensar no presente. O contexto histórico, embora sabendo de antemão que os valores éticos e morais eram muito diferentes dos atuais, liga-nos fortemente ao contexto do passado pela dimensão e carácter humanista da personagem principal. É impossível ficar indiferente ao assistir Vinland Saga.

Com um estilo de desenho fenomenal, são constantes as comparações que os críticos efetuam à fenomenal obra de Kentaro Miura, Berserk, pela sequência de batalhas, ação frenética e carácter pesado do conteúdo. Sobre este último ponto é de salientar que Vinland Saga é um anime extremamente violento, que pode ferir a suscetibilidade das pessoas mais sensíveis. Contudo, faz um retrato preciso da história, não romantizando a cultura Nórdica, sendo, na minha opinião, um dos grandes pontos que favorecem o anime.

A trilha sonora é envolvente e impactante. Mais do que assistir a uma cena pesada ou profundamente triste, que já em si transporta diversas emoções, é constante o silenciar das personagens e da cena e o aumentar, propositado, da trilha sonora para auferir um maior impacto. Tanto que, sendo as músicas inspiradas em instrumentos nórdicos, reservam ainda lugar a algumas notas melódicas de violoncelo ou cânticos celtas, que arrepiam qualquer um.

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Sendo uma série histórica, a mente genial de Makoto Yukimura é atenta a todos os detalhes. Tudo o que vemos nas paisagens, nos objetos e até mesmo vestuário são inspirados em roupa da época e que se podem encontrar em diversos museus na Dinamarca e em Inglaterra. Por sua vez, o anime faz ainda jus a um período histórico conturbado da atual Inglaterra, sendo, na opinião dos críticos e historiadores, muito fiel à história real.

Em suma, recomendamos vivamente o anime Vinland Saga a todos aqueles que adoram a cultura nórdica e que procuram de uma boa narrativa trágica e histórica.

Vinland Saga

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Ano: 2019
Realizador: Argumento:
Episódios: 24 Tipo: serie
Distribuidora: ,
Estúdio:
9
Picture of Francisco Costa
Francisco Costa
Um apaixonado pela cultura Geek que adora tecer comentários e criticas às mais novas formas de arte! Sou uma pessoa um pouco reservada, mas sempre pronto para debater, por largas horas (ou em escassos minutos) qualquer assunto!. Tenho como hobbies favoritos o desenho e a fotografia de rua.

Colaboraram neste artigo

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