Há um certo calorzinho que se forma no peito quando olhamos para algo novo e imaginamos o que pode vir dali. Há certas imagens que nos fazem logo querer saltar para um qualquer mundo novo e descobrir tudo o que ali foi criado. E acho que essa sensação de conforto e entusiasmo só existe quando os próprios criadores fazem isso transparecer para lá do jogo em si.
Foi por isso mesmo que Wilderings: The Lost Spring me chamou a atenção, porque não foi preciso saber ao que ia, porque uma imagem valeu mais que mil palavras!
Claro que é preciso bem mais que uma imagem para realmente perceber o potencial de Wilderings, porque este não é apenas um jogo bonito de plataformas. Isso pensava eu, e já teria ficado consideravelmente satisfeito por essa (boa) experiência. E digo isto porquê?
Ora bem, o visual não é tudo, e bons gráficos muitos conseguem ter, mas nem todos conseguem ter uma identidade visual harmoniosa e que funcione, sabendo bem onde se inspirar e onde se distanciar. Podemos até dizer que isto é a fusão perfeita entre um Prince of Persia, aquele outro em que tínhamos uma companheira que trazia vida de volta a terras áridas, um Breath of the Wild e uma qualquer plasticidade da Pixar.
Acredito que estas sejam apenas as primeiras impressões, que mesmo assim já fizeram o suficiente para marcarem uma posição e fazerem-me esquecer dessas mesmas semelhanças. Mas para um primeiro contacto, souberam acertar em cheio.

A simplicidade do gameplay também tem o seu encanto, porque facilita a entrada neste mundo. A Abi, a nossa personagem, limita-se a dar umas cajadadas bem certeiras nos inimigos, seja com um golpe simples ou algo com mais potência, e para se defender pode erguer o seu cajado e contra-atacar de volta num instante ou apenas desviar-se do caminho.
Já consegui espreitar o que lá vem mais à frente e vai ser possível expandir o nosso leque de movimentos, tal como vamos expandindo as possibilidades de exploração do mapa.
Isto é também um elemento bem importante de Wilderings e quero ver até onde é que vão conseguir chegar com aquilo que nos vão oferecer. Inicialmente podemos apenas correr e saltar, mas eventualmente ganhamos um gancho, um planador e a possibilidade de correr nas paredes.
Mas confesso que gostava que no jogo final, tanto o gancho como o correr nas paredes fossem mais liberais. Usar o gancho é tão satisfatório e divertido, mas estamos limitados a certos pontos pré-definidos pelo jogo. E o mesmo se pode dizer de correr nas paredes, que quando coordenado com o resto do movimento é bem divertido mas nem todas as paredes nos oferecem essa possibilidade.
Não sei até que ponto isso será possível, ter mais liberdade, mas é normal querermos mais e melhor de algo que nos faz querer continuar a jogar.
Mas aquilo em que o Herobeat Studios, vencedor de um BAFTA por Endling, apostou como ponto diferenciador para os demais, seja títulos de exploração, seja em roguelikes, foi na angariação de pequenas e adoráveis criaturas intituladas de Hântu.
Ao juntarem-se ao nosso arsenal, conferem algumas habilidades especiais, que vamos podendo ativar assim que estejam prontas a usar para nos darem alguma vantagem no combate. Roubar vida aos inimigos, mete-los em fogo, congela-los, dar mais dano a escudos, ou mais dano a quem esteja debaixo de chuva, há várias possibilidades e acredito que ainda mais vão surgir na versão final.

Enquanto vamos dando vida a várias zonas do mapa, é-nos dada a possibilidade de escolha entre vários itens, sendo vários deles estes Hântu.
Na nossa base aérea, que voltamos lá sempre que ficamos com a nossa vitalidade a zero e somos obrigados a recomeçar (também) do zero, vamos poder ver quantos é que já encontramos, quantos nos faltam e ainda temos a possibilidade de gastar os nossos pontos em melhorias fixas que são representadas na forma de plantas.
O giro disto tudo, é que podemos escolher efetivamente onde as plantar, então quando já temos várias espalhadas pela nossa aeronave, fica tudo bem verdinho e colorido, e é interessante ter uma representação visual do nosso progresso, que pode ir sendo melhorado ou alterado conforme acharmos melhor.
Quer-me parecer que ainda não fui além da superfície deste Wilderings, e fiquei totalmente confuso sobre qual a história que eles vão aqui contar, porque a sequência de abertura não é nada clara e muito menos nos situa no tempo da ação, acho que até seria preferível nem terem mostrado nada, pois a nossa grande missão é reencontrar a nossa família, isso era mais que suficiente para este momento. Mas acredito que devem ir puxar pelo sentimento e não sei se vou estar preparado!
Agora o que me chateia é ter de esperar por mais conteúdo, que ainda nem se sabe quando irá chegar! Logo eu que sou tão pouco ansioso e adoro ficar à espera que as coisas aconteçam…