Há uma “nova” moda que tem vindo a ganhar tração no mundo dos videojogos, que é lançar novas versões de jogos inicialmente lançados na geração anterior, ou até na outra atrás. E eu até a percebo, e gosto, porque cada vez mais se torna difícil ver grandes melhorias de geração para geração.
Em casos como a PlayStation, acho que se começa a diluir um pouco o interesse, porque por vezes nem há grande necessidade. Mas também vão do 8 ao 80, ou fica com um pouco mais de definição e mais frames por segundo, e está o assunto arrumado, como também estamos perante uma reconstrução (quase) completa do que já havia sido feito.
A Nintendo, penso estar num patamar diferente porque, ao contrário de lançamentos anteriores de novas consolas, não acho que se possa dizer que houve um grande título a acompanhar o da Switch 2. Daí que estas atualizações são como um cartão de visita para que os jogadores decidam apostar nesta nova consola. É quase a mesma coisa que alguém vender-nos uma Bimby! Nós compramos alguns ingredientes, combinam uma hora, aparece alguém lá em casa e mostram-nos como fazer uma lasanha e depois decidimos se queremos comprar ou não.
Tem várias camadas, a carne entre elas, com o molho de tomate e bechamel, e é só ir ao forno. Rapidamente vendem-nos a ideia de que precisamos daquilo dali para a frente, e nós acreditamos.

A Nintendo não nos está a vender uma Bimby, mas está a vender-nos aquilo que eles vão poder oferecer dali para a frente. “Lembram-se deste jogo que lançamos na consola anterior? Olhem só o quão melhor fica nesta nova consola!”
E é certo que ficou bem melhor, muito melhor! “Então e lembram-se daquele outro jogo que havia noutra consola há mais de 10 anos atrás?! Vejam então agora!”
É exatamente isso que Xenoblade Chronicles X: Definitive Edition vem fazer, ainda que já o tenha feito na primeira Switch. Mas mesmo entre uma Switch e a outra, há diferenças consideráveis e bem visíveis.
Uma das coisas mais óbvias acaba por ser os visuais melhorados, e quando digo melhorados não digo que ficaram apenas com melhores texturas ou mais resolução. Houve realmente um aumento do detalhe, mais pormenores, mais quantidade de objetos, mais tudo! As mudanças da Wii U para a Switch já eram enormes, mas os pequenos problemas que existiam na Switch, como estar ainda a 30 frames por segundo ou conseguirmos ver alguns objetos surgirem à nossa frente como por magia ou a ganharem formas mais trabalhadas, deixaram de existir.
Agora tudo está no sítio certo, carregado sem demoras, e a correr a uns confortáveis e incríveis 60 frames por segundo. Nunca senti quebra alguma, mesmo em combates mais intensos visualmente, nem sequer via elementos deformarem-se ou tentarem ser a nossa senhora de Fátima à frente dos três pastorinhos.
Mas realmente aconteceu um milagre, ainda que tenha sido para a versão da Switch. Os personagens foram recalibrados e melhor trabalhados. Não é que fossem maus na Wii U, mas havia uma certa estranheza nas caras dos personagens que é ainda mais notório quando se olha para aquilo que agora conseguiram fazer. São mais expressivos, com feições mais equilibradas, cabelos melhor enquadrados, os olhos têm vida, no geral foi um salto significativo, e que na Switch 2 é ainda mais afinado por não escapar nenhum detalhe.
E quando visto numa TV com 4K, é realmente difícil não dar a mão à palmatória e ver o quão este título precisava desta atualização.

Há claro uma conversa que se pode ter: se realmente é necessário gráficos melhorados para que um jogo se possa considerar melhor, e nem todos precisam disso, mas nem todos são o Xenoblade Chronicles X, para realmente tirar proveito desse tratamento. Daí que, neste caso, sim, melhorias visuais vão tornar este título em algo efetivamente melhor. E definitivamente que fizeram isso!
Mesmo no que diz respeito a jogabilidade, há um conforto tão maior em estar com mais fidelidade gráfica e fluidez que em versões anteriores não ia existir.
Ainda assim, tenho de mencionar algo que envolveu este lançamento em alguma polémica: os reembolsos por parte da Nintendo a quem se estava a queixar de a imagem estar, literalmente, o oposto daquilo que aqui descrevi.
Como já devem ter percebido, eu felizmente não passei por isso, nem consigo entender ao certo a que se referem porque do meu lado estava tudo incrivelmente bem definido. Não me refiro a isto em comparação às versões anteriores, mas as arestas dos modelos 3D não estarem bem delimitadas, haver uma certa sensação de estar tudo esborratado, entre outras coisas, não foi algo que eu tenha verificado.
Mesmo em elementos mais distantes, estava tudo bastante bem afinado, e as paisagens por vezes deixavam-me mesmo espantado com a quantidade de informação e fidelidade que tinham e conseguiam tirar de um equipamento como a Switch 2.

Por muito que possa querer mencionar esta falta de definição como algo negativo, que é, não tendo eu verificado isso na primeira pessoa, não o posso fazer. Mas fica o aviso para não serem apanhados de surpresa, caso aconteça. O ponto positivo é que a Nintendo está a aceitar esses pedidos de reembolso e podem estar a trabalhar para resolver os erros visuais.
Mas tirando isso, não há mais que se possa apontar. Há que ter noção que Xenoblade Chronicles X é um jogo já com uns bons anos em cima, e em certas coisas isso ainda se nota, mas este Definitive Edition para a Nintendo Switch 2 é uma experiência mais do que aceitável existir nos dias de hoje, há coisas recentes drasticamente piores, que tem tudo aquilo que faz um jogo do género funcionar e ser divertido de se jogar. Se nunca jogaram o original, perfeito, esta é a versão que devem pegar. Se por acaso já jogaram e querem revisitar, agora podem fazê-lo com todo o conteúdo existente e com melhorias de excelência.