Porque escrevemos sobre o que gostamos

Porque acreditamos que a paixão, o tempo e a opinião continuam a ser o ponto de partida mais honesto para escrever sobre cultura geek, num mundo cada vez mais apressado e saturado de ruído.
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Estamos numa época estranha para quem gosta de escrever sobre cultura geek. Nunca existiu uma altura tão fértil como agora: informação em barda, trailers, anúncios, rumores, leaks e opiniões em todas as línguas a disputar a atenção de toda a gente. A generalização do acesso à informação transformou o nosso trabalho numa tarefa ainda mais estranha. Para quem estamos realmente a escrever? E ainda há espaço para locais como o Café Mais Geek, quando existem sites onde o financiamento constante lhes dá primazia sobre todos os restantes espaços? Ao mesmo tempo, nunca pareceu tão difícil encontrar textos que fiquem realmente connosco depois de fechar o separador. E isso é válido para qualquer site ou escritor que faça parte desta máquina gigante.

É muito fácil cair na pressa. No clique rápido. No “tem de sair já”. Mas o Café Mais Geek nunca nasceu para ser isso. A meio do caminho explorou esse tipo de alternativas, mas nunca foi o que realmente nos interessou.

Desde a génese da plataforma que escrevemos sobre o que gostamos, porque acreditamos que a paixão ainda é o ponto de partida mais honesto para falar de filmes, séries, videojogos, banda desenhada ou jogos de tabuleiro. Não porque tudo o que gostamos seja perfeito, mas porque é aí que existe envolvimento, memória, contexto e vontade real de ir mais fundo.

Nem tudo o que é geek precisa de ser urgente. E, para nós, isso é extremamente essencial para a nova linha. Algumas coisas precisam do seu tempo.

O Café Mais Geek Central nasce precisamente desse tempo e desse espaço que sentimos necessidade de criar. Um espaço onde a opinião não é um acessório, mas o núcleo. Onde um texto pode existir porque alguém sentiu a necessidade de o escrever, e não apenas porque “era preciso cobrir o tema”. Onde a imaginação, a análise e a reflexão passam a conviver com o entusiasmo e, quando necessário, com a crítica.

Há já alguns anos que ser geek deixou de ser pertencer a um nicho. É navegar num oceano de tendências, algoritmos e ruído. Muito ruído constante. No meio de redes sociais que nos quebram o pensamento e nos levam a deslizar o ecrã infinitamente, sem uma única reação, surgem inúmeros conteúdos relacionados com este mundo que pouco acrescentam. E mesmo quando acrescentam, acabam completamente inundados no meio de tudo o resto. Por isso, mais do que seguir tudo, escolhemos selecionar, pensar e escrever com intenção. Há coisas que nos apaixonam, outras que nos desiludem e muitas que merecem conversa, mesmo quando não são consensuais.

Não prometemos chegar sempre primeiro a todos os assuntos. Prometemos chegar com algo verdadeiramente honesto para dizer.

Este é o nosso compromisso com quem nos lê nesta nova aventura. Textos com identidade. Opiniões assumidas. Espaço para errar, rever posições e crescer. E acreditamos que nesta primeira semana já errámos, já aprendemos, já nos revimos e já crescemos. Mas, acima de tudo, prometemos conteúdos feitos por quem continua a gostar genuinamente disto tudo, mesmo depois de tantos anos.

Se procuras análises com tempo, crónicas com pontos de vista assumidos e conteúdos que não tratam o geek como ruído descartável, então achamos que estás no sítio certo. Aqui continuamos a escrever sobre o que gostamos, sem pressa e com intenção. Porque é aí, nesse espaço entre a paixão e a reflexão, que tudo começa.

Por um mundo mais geek!

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Eduardo Rodrigues
Considero-me um geek da cabeça aos pés. Adoro uma boa leitura, apreciar a arte da BD e da Manga, ver de uma assentada aquela série ou anime incrível, ir ao cinema e devorar um filme e deliciar-me com uma aventura interativa nos videojogos e nos jogos de tabuleiro. Sou um adepto da mágica Briosa e um assistente fervoroso no estádio.

Colaboraram neste artigo

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