Agents of S.H.I.E.L.D.

Agents of S.H.I.E.L.D. é uma série de Joss e Jed Whedon “semi-associada” ao MCU (em português, Universo Cinematográfico da Marvel) que, ao longo de sete temporadas, tanto me levou a ver episódios de jorrada, como a desistir durante uns tempos. Será que vale a pena? Apertem os cintos, porque vai ser uma viagem atribulada.

Agents of S.H.I.E.L.D. estreou pouco depois do primeiro filme d’”Os Vingadores”, trazendo o Agente Coulson (Clark Gregg) de volta e introduzindo uma série de agentes da S.H.I.E.L.D., uma organização secreta encarregue de proteger a Terra de todo o tipo de ameaças. Originalmente, a premissa da série era seguir estes simples humanos à medida que lidavam com forças maiores, no que seria a primeira vez que veríamos o MCU reflectido nas nossas televisões. Pelo menos, foi assim que me foi vendida.

No entanto, a primeira temporada parece pouco mais que publicidade aos super-heróis, com uma receita à base de “monstro da semana” que por vezes nem era mais que uma simples prop usada nos filmes que todos adoramos. Enfim, teve os seus pontos altos, como a breve participação da Jaimie Alexander (Sif no filme Thor), um ainda mais breve cameo de Samuel L. Jackson (que dispensa apresentações) e um ou outro twist, mas o resto custa um pouco a assistir.

Não fosse pelo charme do elenco, não teria sobrevivido a mais que dois episódios. Além de Clark Gregg, Agents of S.H.I.E.L.D. podemos contar com os talentos de Ming-Na Wen. Chloe Bennet, Elizabeth Henstridge, Iain De Caestecker, Henry Simmons e muitos mais.

Ainda antes do fim da primeira temporada, a série teve que lidar com os acontecimentos de Capitão América: O Soldado do Inverno, o que, apesar de acrescentar alguma intriga, criou a sensação de que a série não estaria tão ligada ao MCU como estaríamos à espera, mas sim que estava a fazer um esforço por acompanhar o que acontecia no grande ecrã. Desilusão.

Como consequência, a segunda temporada focou-se mais no conflito entre a S.H.I.E.L.D. e a organização criminosa Hydra, criando uma ligação com a série Agent Carter, introduzindo a agente Bobbi Morse (também conhecida como Mockingbird) e estabelecendo a personagem interpretada por Bennet como uma super-heroína (Quake). A história tornou-se mais contínua e menos focada na “radiação que o Hulk deixou para trás” ou “aquele parafuso do Iron Man que não pode cair nas mãos erradas”. Apesar de significativamente menos patética, o esquema de 22 episódios de aproximadamente 45 minutos manteve-se, o que se traduz em muito enchimento de chouriços.

Numa nota à parte, esta temporada conta com um episódio cuja acção passa por Portugal, mas que acaba por ficar ali entre o “yey, sabem que Portugal existe!” e o “hey… isto não é uma boa representação de Portugal”. Ainda assim, é uma curiosidade.

A terceira temporada trouxe os Inhumans. Se viram a série Inhumans, esqueçam-na completamente, porque não tem nada a ver. Esta temporada marca o ponto em que me sentiria confortável em recomendar a série, mas sofre do mesmo mal da anterior: é demasiado longa e tem um ritmo capaz de nos pôr a dormir antes de chegar à chicha. Mais uma vez, vemos que o filme Os Vingadores: Era de Ultron teve algum impacto na série, sem haver qualquer reciprocidade.

A quarta temporada começa a aquecer e merece palmas por lidar com um dos problemas referidos anteriormente. Em vez de uma história esticada pelos 22 episódios, a temporada foi dividida em três partes: Ghost Rider, LMD e Agents of Hydra. Todas as partes tiveram os seus pontos fortes, sendo que a primeira foi a visualmente mais espectacular. As outras partes, talvez por falta de orçamento, foram mais focadas nas performances dos actores. De qualquer forma, senti que o facto de ter mini-histórias mais curtas tornou a série mais fácil de acompanhar e menos carregada de momentos enfadonhos.

Na quinta e sexta temporadas, os agentes foram lançados no espaço e no tempo, para bem longe dos acontecimentos de Os Vingadores: Guerra do Infinito e Os Vingadores: Endgame. Parece que a malta se cansou de matar a cabeça a tentar lidar com o MCU e simplesmente decidiu evitar por completo a chatice. É uma pena que a ligação entre a série e os filmes não tenha sido mais explorada, ainda mais quando foi esta série que introduziu elementos espaciais como os Kree, que mais tarde viriam a surgir no cinema n’”Os Guardiões da Galáxia”.

A sexta temporada em particular tem apenas treze episódios, quase metade das temporadas anteriores, o que a torna mais fácil de digerir.

Por fim, na sétima e última temporada, os agentes foram levados de volta ao passado, com cada episódio a visitar uma época diferente e a reflectir o estilo televisivo da altura, jogando tanto com a comédia como com a nostalgia. Esta temporada é bem capaz de ser a mais divertida, não apenas por explorar ferramentas diferentes e ter episódios menos monótonos, mas porque dá a sensação de que a equipa está a arriscar mais e a aproveitar o seu tempo antes da série terminar.

Concluindo e respondendo à questão inicial, a série terá bastante mais valor para os fãs “hardcore” do universo da Marvel, principalmente nas primeiras temporadas, quando a série parece manter-se segura por arames (e esses arames são referências aos filmes).

De uma forma geral, ao longo dos anos, certas personagens evoluíram mais que outras, sendo que Phil Coulson se manteve aquela cola que une a série ao MCU. A introdução do ocasional novo agente também ajuda a manter um certo grau de frescura.

A meu ver, a maior conquista de Agents of S.H.I.E.L.D. é o facto de ter feito grandes esforços por se adaptar, crescer e melhorar. Também em destaque ficam as acrobacias e lutas coreografadas que remetem muito a Buffy, a Caçadora de Vampiros.

Pessoalmente, a quarta e sétima temporadas são as que mais gostei, tanto do ponto de vista artístico como de entretenimento, mas com tanta variedade, é seguro dizer que há um pouco para todos os gostos. Dito isso, dada a forte continuidade e importância das relações entre as personagens, não faz sentido começar a ver a meio. É um investimento.

Em Portugal, a série passa na Fox.

Avatar
Escrito por: Pedro Cruz

"Spawned" em Aveiro no fim do início da década de 90, apreciador de amostras de imaginação e criatividade, artesão de coisas, mestre da fina e ancestral arte da procrastinação e... por hoje já chega. Acabo isto amanhã...