Biohackers

Biohackers é o novo thriller de ficção científica alemã da Netflix, divido em seis episódios que aborda o tópico da ciência moderna de tal forma que mesmo aqueles que se poderiam sentir de pé atrás com toda a parte nerd, não vão conseguir largar o ecrã.

Ao escalar atores talentosos, jovens e diversos para os papéis principais, Ditter cria uma sinfonia de humor, drama envolvente e romance.

A primeira cena abre com um jovem casal num comboio. De repente, os passageiros começam a ter dificuldades em respirar e um a um vão caindo. Uma jovem estudante de medicina, Mia (Luna Wedler), tenta ajudar, mas os seus melhores esforços não são suficientes.

A princípio, Biohackers parece ser um problema sobre uma pandemia, e na verdade a Netflix até decidiu adiar a sua data de lançamento devido à sensibilidade em torno do COVID-19. Na realidade, porém, as semelhanças com o mundo real realmente não são tão boas – máscaras e qualquer sinal de quarentena em casa estão ausentes – mas há sinais de corrida contra o tempo por uma vacina.

Em vez disso, Biohackers é mais centrado nas personagens, principalmente em Mia, imediatamente fazendo um flashback para as duas semanas antes do incidente no comboio. Vemos Mia a mudar-se para o seu apartamento de estudante e a conhecer os seus colegas de casa, cada um mais excêntrico do que o outro. Aos poucos, vamos nos apercebendo que Mia é mais do que uma estudante de Medicina na universidade de Friburgo, e que o seu objectivo final é entrar para o círculo pessoal da professora Tanja Lorenz (Jessica Schwarz). O seu interesse por Lorenz e pelo seu trabalho parecem apenas os de mais uma jovem estudante perseguindo o seu ídolo, mas conforme a história se desenrola, o verdadeiro motivo para querer se aproximar de Lorenz revela-se muito mais sombrio.

Ratos que brilham no escuro, marijuana geneticamente modificada e microchips nas suas mãos que permitem pagamentos sem contacto? Esse é o cenário científico surpreendentemente realista de Biohackers. Experiências caras de engenharia genética, que antes só podiam ser realizados atrás das paredes de grandes instituições, agora podem ser feitos em casa com ingredientes comprados no eBay. A premissa revela-se como “a criatura que se torna o criador”.

A série obriga-nos a explorar dilemas morais e éticos e a perguntar como devemos prosseguir com a pesquisa médica para salvar vidas. É importante notar que o biohacking é ilegal na Alemanha. Embora o programa seja inicialmente muito multifacetado e um pouco confuso por causa de uma narrativa que mergulha em várias direcções, a cada episódio as situações estreitam-se até que aprendamos como tudo está conectado.

À medida que as histórias ficam mais claras, o suspense fica mais intenso. Parte enredo de vingança, parte drama amoroso, parte tentar desmantelar uma conspiração em grande escala, as peças não convencionais unem-se ao encanto do elenco principal, tornando esta série fácil e entusiasmante de assistir.

Em conclusão, Biohackers é um thriller divertido e visualmente deslumbrante que representa várias subculturas de biohacking ao mesmo tempo que oferece uma boa base cientifica e um enredo interesse que parece estar apenas a começar.

Capa
7.5
Biohackers
Biohackers
Premiere 20 de agosto de 2020
Temporada 1
Distribuição por
  • Premissa idealizada para agarrar a curiosidade
  • Série fácil e entusiasmante de assistir
  • Boa base científica
  • Explorar dilemas morais e éticos
  • A narrativa pode ser um pouco confusa
João Simões
Escrito por: João Simões

Viajante perdido à procura de sentido nas respostas dos outros. O personagem do Forky no Toy Story 4 em plena crise existencial é o meu animal espiritual. Quando ganhar um Óscar agradeço pelo meio à Cris e ao Ed se não me despedirem até lá.