Em Defesa de Jacob

Andy Barber (interpretado pelo famoso Capitão América ou para o comum dos mortais Chris Evans) é um promotor de justiça e pai de uma família aparentemente ideal. Quando Andy é chamado para liderar a investigação sobre o assassinato de Ben Rifkin, um rapaz de 14 anos, rapidamente se depara com algumas pistas perturbadoras as quais parecem apontar para o seu próprio filho, Jacob, como o principal suspeito do assassinato. Imediatamente, Andy é forçado a sair de um lado do caso e passar para o outro, o lado do sistema judicial. A minissérie segue Andy e a sua esposa, Laurie, enquanto tentam manter o filho fora da cadeia, tentando desesperadamente provar que ele é inocente. Contudo a pergunta que se impõe é: será que Jacob é mesmo inocente?

Nos últimos tempos temos visto surgir um interesse cada vez maior por mistérios de assassinatos e dramas criminais, cada um mais profundamente perturbador do que o anterior. Alguns espectadores parecem devorar essas histórias com uma curiosidade quase mórbida. No entanto, com tanta variedade por onde escolher, variedade essa que acaba por cair toda no mesmo na maior parte dos casos, é fácil o público geral perder o interesse a meio da história. Uma das grandes preocupações quando começamos uma nova série deste género é que não passe duma mera repetição de todos os outros, mudando apenas a cidade e o nome das personagens. No entanto, em Defending Jacob existem complexidades e reviravoltas suficientes ao longo da série que nos mantém interessados e a querer descobrir o que se terá passado.

Todos nós conhecemos Chris Evans como um super-herói da Marvel em que sua bússola moral é talvez o aspecto que mais o define. Em Defending Jacob, Evans tem a oportunidade ser mais subtil numa performance em que quase todos os seus movimentos dizem mais do que qualquer uma das suas palavras. Michelle Dockery como Laurie e Jaeden Martell como Jacob também apresentam performances muito bem conseguidas, embora de maneiras um pouco mais teatrais.

Aviso de spoiler! A parte mais interessante desta série é nunca realmente saber quem é o assassino. Embora todas as pistas pareçam apontar para Jacob, de alguma forma não queremos acreditar que tenha sido ele. A maior parte da série é passada pelo espectador a fazer previsões sobre o que aconteceria a seguir ou quem é o assassino. Contudo, todas essas previsões não importaram, porque nunca descobrimos realmente. Este tipo de desfeche pode não agradar a muitos, de facto a incerteza é frustrante. Não mereceríamos nós descobrir a verdade depois de dedicar tanto tempo à série? No entanto, o facto de não descobrirmos na minha opinião deixa-nos na posição de Laurie e Andy, atira-nos para a sua realidade, faz-nos simpatizar mais com eles, sofrer com eles. Não seria justo nós sabermos e eles não. Deixa-nos malucos, tal como deixa Laurie. E o verdadeiro final torna-se mais compreensível. Embora, para mim, o desfeche da cena de Laurie e Jacob no carro seja o ponto mais fraco da série, esta minha opinião talvez seja mais devida a uma crença pessoal de que uma mãe como Laurie não seria capaz de fazer isso. Ao mesmo tempo, não é descabido. Vemos ao longo dos 8 episódios, Laurie a lidar com um sentimento de culpa que a vai consumindo até ao fim, e que parece culminar ali.

Quem leu o livro de William Landay com o mesmo nome (eu não fui um deles) pode ter notado algumas diferenças importantes. As que se destacam incluem o corpo sem vida de Hope, bem como a morte de Jacob após o acidente de carro. Enquanto a incerteza da inocência de Jacob permanece, a morte de Hope no livro aponta ainda mais dedos para a sua possível culpa. A série parece fazer algo mais interessante ao mudar estes detalhes e ao manter-nos no escuro.

Spoiler-free zone: Não vou deixar a minha teoria de quem penso ter sido o assassino, mas convido a quem assistiu a partilhar connosco as suas, queremos saber o que vocês pensam!

Eu acho que a decisão de nos manter longe da verdade é um risco que compensa no final. Com um a segunda temporada no horizonte, francamente espero que não nos dêem as repostas todas logo de uma vez, mas sim que continuem com este jogo de gato e rato. A mais valia de Defending Jacob encontra-se nisto mesmo, no dar o mínimo de informações que precisamos para extrapolar dezenas de resultados. Às vezes, nunca descobrimos as respostas para as perguntas, mas isso não significa que a história não deva ser contada.

Capa
8
Em Defesa de Jacob
Defending Jacob
Muito Bom
Premiere 24 de abril de 2020 Finale 29 de maio de 2020
Temporada 1
Distribuição por
  • Existem complexidades e reviravoltas suficientes que nos mantêm interessados
  • Performances dos actores
  • Excelente produção
  • O final pode não agradar a algum público
  • Repetições de cenas desnecessárias que poderiam ser resumidas
João Simões
Escrito por: João Simões

Viajante perdido à procura de sentido nas respostas dos outros. O personagem do Forky no Toy Story 4 em plena crise existencial é o meu animal espiritual. Quando ganhar um Óscar agradeço pelo meio à Cris e ao Ed se não me despedirem até lá.