Good Omens T1

Good Omens é uma série criada por Terry Pratchett e Neil Gaiman, baseada no livro escrito pelos mesmos e intitulado Good Omens: The Nice and Accurate Prophecies of Agnes Nutter, Witch (hoje em dia e em português podem encontrar simplesmente como “Bons Augúrios”). Caso ainda não tenha captado a vossa atenção, a série é estrelada por Michael Sheen e David Tennant, que têm uma “química” magnifica.
À medida que o Armagedão se aproxima, anjos, demónios e até os quatro cavaleiros do Apocalipse terão que cumprir os seus papéis para que tudo corra como planeado. Planeado por quem? Deus, claro, estamos a falar do Grande Plano (isso mesmo, com maiúsculas). Segundo o Plano, os céus e os infernos irão defrontar-se numa épica batalha que trará o fim da Terra e, mais importante que isso, a resposta sobre qual dos lados é mais poderoso. No entanto, o anjo Aziraphale (Michael Sheen) e o demónio Crowley (David Tennant) acham que terminar aqui a história da humanidade seria inconveniente. Afinal, se os seres humanos acabarem, também acabarão algumas das coisas boas que eles fazem, como os croissants ou boa música, sei lá, os carros.
Como já devem ter percebido, Good Omens é uma comédia algo satírica que, com muita fantasia à mistura, nos mostra um mundo onde a história descrita pela Bíblia tem até alguma precisão. No entanto, nesse mundo, descobrimos que a linha entre o que é “bom” e o que é “mau” não é necessariamente recta. Faz curvas e contra-curvas. Aliás, não é bem uma linha, é mais uma… Não, não. Não existe linha e essa é parte da beleza da série. No fim de contas, porque é que Deus haveria que querer acabar com o mundo?
Crowley acaba por lembrar bastante o Doutor (personagem interpretada por Tennant na série Doctor Who), mas sem as restrições morais ou linguísticas. Basicamente, vemos o que seria se o décimo Doutor fosse um “bad boy” ou uma “rock star” com apenas uma amostra de consciência. Do outro lado, Aziraphale dá-nos o oposto, um anjo bonzinho que só quer apreciar a vida e executar boas acções, mas que não pode deixar de questionar o peso das suas decisões. Assim, ao longo dos seus seis episódios de uma hora, a série segue o par à medida que influenciam os acontecimentos desde o momento em que Adão e Eva estavam no Jardim até aos dias de hoje.
Nos restantes talentos envolvidos, temos desde Adria Arjona a Michael McKean, passando por Jon Hamm, Jack Whitehall, Daniel Mays, e com as vozes de Benedict Cumberbatch e Frances McDormand entre muitos outros. Tenho que admitir, não achei as prestações da miudagem nada de especial e fizeram-me lembrar a série “Uma Aventura” que costuma(va) dar na televisão, mas os adultos mais que compensam.
Concluindo, a série é perfeita para quem quer uma comédia com algum peso e consistência ou para alguém que quer algo mais comprido que um filme, mas não necessariamente um compromisso a longo-prazo.
Good Omens está disponível através do serviço de streaming do Amazon Prime Video.
Capa
Premiere 30 de maio de 2019
Temporada 1
Distribuição por
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Escrito por: Pedro Cruz

"Spawned" em Aveiro no fim do início da década de 90, apreciador de amostras de imaginação e criatividade, artesão de coisas, mestre da fina e ancestral arte da procrastinação e... por hoje já chega. Acabo isto amanhã...