Rick and Morty

Rick and Morty é uma série animada de comédia e aventura criada por Justin Roiland e Dan Harmon, o mesmo criador da série Community. Apesar de cada temporada ter apenas cerca de dez episódios de trinta minutos, a série rapidamente conseguiu abananar o mundo e ganhar fama comparável à de Os Simpsons ou Family Guy, sem contar com uma grande quantidade de fiéis e apaixonados fãs. “Mas porquê?”, perguntam vocês. Vamos ver.
Rick and Morty conta as aventuras de… bem, Rick e… Morty, que à superfície são claramente uma paródia da dupla Doc e Marty, da trilogia Regresso ao Futuro. Rick é um cientista genial, inteligente e capaz de coisas extraordinárias, mas tem um problema com álcool (entre outros) e falta de empatia, consciência e vergonha. Morty é o neto de Rick e o típico jovem que não se destaca em nada, não é fixe, não é rebelde, nem particularmente inteligente, mas prende Rick e a série ao chão. Portanto, como personagens, complementam-se muito bem.
Caso não seja já claro, devo avisar que esta não é uma série para crianças, devido a todo o tipo de conteúdos desaconselhados a menores. O que também significa que provavelmente não será uma série para todos gostos. Não é tão explícita como, por exemplo, South Park, mas tem tendência para dançar sobre a linha do “moralmente questionável” e mostrar sangue e consumo de álcool e outras substâncias. Sem contar com o toque ocasional do clássico humor de casa-de-banho.
Se tivesse que explicar o sucesso da série, diria que se deve à mistura de originalidade com a alternância entre momentos cómicos e trágicos. É uma série capaz de nos surpreender em todas as curvas e contra-curvas e está constantemente a pensar fora da caixa. Aliás, pensa fora da caixa, arrasta-nos para fora dela, transforma-a num origami e pega-lhe fogo com irreverência. Tem um lado cómico que é complementado por um lado mais profundo e o contraste entre esses dois sabores faz-nos rir, mas também pensar. Por isso digo que não é uma série para todos os gostos. Se não estivermos dispostos a digerir o lado pesado e pensar nos segundos significados e paralelismos, então a comédia também não será mais do que algo muito tolo. Diria que é por isso que a audiência tem opiniões tão distintas e extremas, que vão desde “isto é só estúpido” a “isto é a coisa mais genial do mundo”. Um pouco como o Rick, que à primeira vista parece um vagabundo, mas que afinal consegue construir portais para outras dimensões com um clipe e pastilha elástica.
A animação é agradável. À primeira vista, não achei nada de especial. e fez-me até lembrar uma versão ligeiramente preguiçosa de Futurama, mas há cenas, particularmente de acção, onde a arte brilha. O talento vocal também faz um óptimo trabalho em colocar as personalidades nas personagens através das vozes, em particular Justin Roiland, que dá voz tanto a Rick como a Morty. Chris Parnell dá voz a Jerry, o panhonhas pai de Morty e genro de Rick; Sarah Chalke é Beth, a mãe do Morty e filha de Rick, que não sai nada ao pai; e Spencer Grammer é Summer, a irmã do Morty e típica adolescente.
Concluindo, vale a pena ver? Vale a pena ver o primeiro episódio, pelo menos. Se o bichinho não pegar aí, tentem outro. Algum há-de tocar lá no fundo.
Neste momento, a série vai a meio da quarta temporada e está disponível na Netflix.
Capa
Rick and Morty
Premiere 2 de dezembro de 2013
Distribuição por
  • Mistura de momentos hilariantes e com momentos de emoção.
  • Criatividade ao abordar temas correntes de formas que nos apresentam outras perspectivas.
  • Vozes.
  • Temporadas curtas.
  • Apesar de ser comédia, nem sempre é ligeiro.
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Escrito por: Pedro Cruz

"Spawned" em Aveiro no fim do início da década de 90, apreciador de amostras de imaginação e criatividade, artesão de coisas, mestre da fina e ancestral arte da procrastinação e... por hoje já chega. Acabo isto amanhã...