UnReal T2 E1

UnReal é uma série da A+E Studios produzida por Marti Noxon e Sarah Gertrude Shapiro e, como o canal TVCine vai estrear em breve a segunda temporada, tivemos oportunidade de ver o primeiro episódio e dar-vos uma ideia do que aí vem. A segunda temporada segue a primeira, mas vou tentar não estragar nada para quem ainda não viu. Ainda assim, irei apresentar a série tal como ela é até este ponto.
UnReal é um drama que nos leva pelos bastidores de um reality show chamado Everlasting, algo no estilo de Big Brother ou… bem, só conheço esse… mas certamente haverá algum mais semelhante. Em Everlasting, um cavalheiro cheio de classe e pilim, procura o verdadeiro amor entre um pequeno harém de mulheres sedutoras e ridiculamente ingénuas dispostas a muita coisa para serem a escolhida do príncipe. No entanto, o verdadeiro drama decorre por detrás das câmaras. Afinal, o jogo não é exactamente limpo e os produtores instigam intriga, mexericos e outras tretas com o objectivo de darem à audiência do programa razões para ligarem a televisão.
Entre esses produtores, está a nossa protagonista, Rachel Goldberg (Shiri Appleby), uma rapariga super-manipuladora com um passado atribulado e uma bússola moral completamente desnorteada. Apesar de ter um cargo que se esperaria respeitável numa produção, Rachel tem uma certa qualidade de “underdog”, visto que é o pau mandado da sua chefe, Quinn King (Constance Zimmer), produtora executiva e besta em part-time. Vou deixar-vos pensar sobre a criatividade do nome dela. Também a dificultar a vida dela, estão os seus colegas produtores: Shia (Aline Elasmar), uma mulher cuja incompetência não impede de manter o cargo de produtora, e Jeremy Caner (Josh Kelly), cuja homossexualidade basicamente define a personagem.
Rachel teve os seus problemas no passado e agora está entre dívidas, problemas psicológicos e um ambiente “profissional” extremamente competitivo, mas como isso não é dramático suficiente, ela vai mais longe e envolve-se com praticamente tudo o que tenha abdominais esculpidos. Aliás, não há nenhuma personagem nesta série que tenha uma relação saudável e não ande a meter o nariz e outros apêndices onde não deve. Pronto, ’tá dito.
Desde personagens de plástico com motivações e emoções flutuantes que não conseguiam tomar uma boa decisão mesmo que as suas vidas dependessem disso a pontos na história com potencial para virar tudo do avesso que são postos de lado no episódio seguinte, UnReal não tem muito por onde pegar. No entanto, se tem um ponto positivo, será este: UnReal dá uma sensação bastante forte de estarmos a ver um “por-detrás-das-câmaras” de um reality show. Diria mesmo que esse é o ponto mais forte da série. Mas vá, admito que uma ou duas vezes fui apanhado de surpresa e outro par de vezes fiquei mesmo curioso para ver o que acontecia. Além disso, se virmos isto como uma paródia, pode ter um bocadinho de piada.
A segunda temporada traz de volta o elenco principal e um novo “príncipe” para uma nova temporada de Everlasting, onde a grande novidade é o facto de ele ser negro. Francamente, não vi grande diferença entre o início da primeira temporada e o primeiro episódio da segunda. É mais do mesmo com uma decoração um pouco diferente, mas é provável que os pontos dramáticos se venham a revelar mais à frente, particularmente quando as novas personagens começarem a revelar as suas personalidades.
Apesar de ser drama ao nível de telenovela, UnReal acaba por ser inovadora no sentido em que mostra um lado diferente dos reality shows. É um lado que provavelmente já imaginávamos que existisse e que (espero eu) é incrivelmente dramatizado, mas que ainda assim é interessante ver.
Agora, a questão de ouro: Vale a pena ver? De todas as séries sobre as quais escrevi até hoje, esta talvez seja aquela que mais dificilmente vos tentaria convencer a ver. Se forem fãs de dramas atribulados, romances à la Morangos Com Açúcar e outras coisas que passam no horário noturno da MTV (ou no horário nobre da TVI), força. É para vocês. Até digo isto: se estivesse mais por dentro do meio dos reality shows, talvez visse algum tipo de mensagem que provavelmente me passou ao lado. Se forem como eu e não estiverem assim muito por dentro do género, não aconselho.
Capa
5
UnReal - War
UnReal
Assim Assim
Premiere 1 de junho de 2015
Temporada 2 Episódio 1
Distribuição por
  • Inovadora dentro do género
  • Drama que nos leva a ver mais um episódio.
  • Não há uma personagem realmente captivante.
  • Pontos relevantes da história são descartados rapidamente.
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Escrito por: Pedro Cruz

"Spawned" em Aveiro no fim do início da década de 90, apreciador de amostras de imaginação e criatividade, artesão de coisas, mestre da fina e ancestral arte da procrastinação e... por hoje já chega. Acabo isto amanhã...