Death Stranding

PlayStation 4

Um mundo em construção

Hideo Kojima foi e é um dos maiores e mais influentes criadores de videojogos, já tendo revelado, ao longo de toda a sua carreira, uma aptidão nata para esse papel. Metal Gear foi uma das suas grandes criações, juntando assim uma legião de fãs que o colocam acima de todo e qualquer outro criador do ramo.
Neste sentido, Hideo Kojima continua a ser um nome que ecoa pelo mundo fora como um grande profissional e visto como um deus na sua arte, demonstrando que tudo o que cria, desenvolve com brio e originalidade nunca antes vista.
Depois surgiu Death Stranding
Quando escrevo estas análises, gosto de escrever o mais próximo possível do leitor, isto é, gosto de ser o mais sincero possível. Death Stranding foi um desafio por isso mesmo. Não sei o que vos diga, principalmente, quanto à relação qualidade/preço. Todos podemos avaliar jogos e géneros de jogos de formas diferentes e isso é o que faz com que este meio se torne mágico: toda a gente pode ter um pouco daquilo que procura. No entanto, Death Stranding quer dar tanta coisa que acaba por prejudicar. Na minha opinião, jogos de mundo aberto como The Legend of Zelda – Breath of the Wild, Grand Theft Auto ou até mesmo a saga do Mafia são títulos que oferecem muito mais conteúdo e variedade de missões e personagens, sacrificando um pouco da história e das cutscenes que vão surgindo. Por outro lado, Death Stranding opta, na minha ótica, por uma reprodução mais cinematográfica, sacrificando muito mais o aspecto gameplay e para isso, sinceramente, preferia ver um filme. Mas avancemos com a análise propriamente dita.
Primeiro, vamos começar com as partes boas. Os visuais do jogo estão lindíssimos. O teste que fiz foi realizado numa Playstation 4 Slim de 1TB e tudo o que me passava pela cabeça enquanto via todos os ambientes do jogo, fossem montanhas, vales, riachos, cidades, entre outros, era imaginar como seriam reproduzidas estas imagens em 4K… Como seria jogar isto com uma imagem tão real que não se parecia com um jogo? Pequenas interações como tomar banho ou ir à casa de banho ou, até, simplesmente, cair – e sim, é o primeiro jogo que jogo em que a personagem pode desequilibrar-se e cair – são estas pequenas coisas que trazem a esta América “morta”, um novo significado.
Os detalhes nas texturas dos ambientes, da(s) personagem(s), as interações com o bebé, os sentimentos da personagem (que controlamos ao longo da história), os inimigos; TUDO é criado e gerado para interagir de forma perfeita com o ambiente – e, claro, uns com os outros – de forma nunca antes vista. Daí que esta originalidade seja tão esperada por tantos fãs do Hideo Kojima. Outros, tal como eu, prefeririam um pouco menos disto em troca de um gameplay mais entusiasmante.
Outra coisa muito interessante criada para este enredo, tem que ver com a interação entre jogadores, ou seja, através de ajudas deixadas por outras pessoas, é possível (ou não) facilitar o nosso percurso, seja através de estradas, postos de entrega ou outro tipo de infraestruturas. Sentimos, efectivamente, que a América está a ser reconstruída com o nosso trabalho e que cada entrega que fazemos não nos ajuda apenas a nós. Claro que algumas dessas ajudas, como frisei à pouco, não são ajudas de todo, levando o jogador a trepar, por exemplo, escadas para o nada ou que nos levam a tropeçar e a cair, perdendo toda a carga que levamos às costas.
Falando agora dos aspectos menos bons…
Posso, desde já, avançar com uma palavra que exprime muito bem o gameplay: aborrecido!
Para além de uma prática reiterada de missões obsoletas, a atividade em causa é sempre a mesma ou, pelo menos, 90% das vezes. Assim, o jogador é constantemente obrigado a levar uma certa carga do ponto A para o ponto B, tendo apenas algumas interações pelo caminho, interações essas que em nada se assemelham aquilo que Hideo Kojima construiu no passado. Tudo parece demasiado lento e pouco dinâmico, demonstrando pouco trabalho para lá de uma história e gráficos bem construídos. O combate é pouco desafiante e até mesmo pouco convidativo, atrasando mais o progresso do que ajudando o modo história. Aqui, também podemos incluir os “combates” com os Beached Thing (doravante, designados por BT), combates esses que, até parte do modo história, não podem ser derrotados. Todavia, tenho de admitir que os Bosses são muito criativos e divertidos de derrotar (embora um pouco fáceis).
Depois, embora inovadoras, as novas mecânicas no movimento da personagem são tão pouco apreciadas. Porque é que, num jogo em que o desafio principal é levar carga, a personagem pode cair, danificando a carga? Porque não temos acesso a veículos desde o início do jogo? Várias perguntas podem ser levantadas sobre os problemas de gameplay.
Queria ainda aproveitar para falar do bebé que temos ao peito. Para além de uma mecânica estranha, serve apenas para um nicho de situações tão esporádicas que em nada valem a pena para o trabalho que temos em acalmá-lo cada vez que ele se assusta, perdendo ainda mais tempo.
Por fim e para terminar a minha lista de contras, o fast travel. Desde quando é que para fazer fast travel num jogo é preciso prescindir de 5 minutos, a saltar cutscenes, para, finalmente, chegar ao destino desejado?
É, realmente, incrível o quão lento este jogo pode por vezes ser.

Veredito

Mesmo com todas as inovações introduzidas, inovações essas que primem pela originalidade e criatividade, estas sofrem também de problemas graves que ferem o jogo de um aborrecimento atroz. Death Stranding vence pelo argumento e pela vista, mas nunca poderá vencer pela jogabilidade, considerando até um dos piores títulos lançados sobre o nome de Hideo Kojima. Não recomendo para jogadores com pouco tempo disponível ou que tenham em vista jogos mais dinâmicos. Na minha opinião, é-nos aqui apresentado um filme em vez de um jogo.

Esta análise foi possível com o apoio da PlayStation Portugal!
Capa
6
Death Stranding / Death Stranding
Satisfatório
Data de Lançamento 8 de novembro de 2019
Lançado em
Joel Henriques
Escrito por: Joel Henriques

A crescer com o Pokémon desde os cinco anos, apresento-me como um amante incurável do mundo dos videojogos e jogos de tabuleiro. Tenho como objetivo principal, em cada artigo que publico, escrever de forma a transmitir uma opinião simples, mas completa, para que todo o tipo de jogadores sinta que seja como se estivesse, ele próprio, a jogar. Acima de tudo, divirtam-se!