Patapon 2 Remastered

PlayStation 4

Quando abri o email e vi aquele assunto: “Patapon 2 Remastered para análise”, senti que estava novamente em 2008. Houve alguns títulos que me fizeram perder imensas horas na altura da minha PSP 1000 Ceramic White… Que saudades… E dois desses títulos em específico são exclusivos únicos desta icónica portátil. Falo de Loco Roco e de Patapon. Cada um especial à sua maneira e que infelizmente “acabaram” perdidos naquela consola. A Sony não soube o que fazer com cada uma das sagas e o melhor que tivemos até ao momento foram uns relançamentos e consequentes remasters para a principal consola da empresa.

Apesar de ser muito bom recordar estes títulos já faltavam umas versões novas, realmente modernas e com tudo de bom que estas sagas têm. Patapon 2 sofre disto mesmo, é apenas um remaster de um jogo que já conhecemos. Será excelente apresentar esta saga a muitos que na altura do lançamento da PSP ainda estavam a nascer, ou eram demasiado novos para compreender, mas não é a mesma coisa que pegar num novo título da franquia.

Patapon 2 é bom. Já todos sabemos isso. Aliás, a saga Patapon tem muitíssima qualidade em vários aspetos, principalmente quando pensamos e jogamos na consola para que foi feito. História simples e rápida de compreender, grafismos simples e muito bem otimizados, controlos fáceis de compreender e ao mesmo tempo desafiantes e principalmente a possibilidade de pegar no jogo apenas alguns minutos e voltar mais tarde sem grandes problemas. Temos de lembrar que numa portátil sempre funcionou melhor jogos que consigam entreter de forma fácil e rápida. Ainda hoje, com os smartphones é assim e se olharmos para os grandes títulos das portáteis, na sua maioria vão ao encontro dessa mesma ideia.

Este remaster pega num jogo bem conseguido e transforma-o para 4k, de forma a ser apreciado da melhor forma numa PlayStation 4 Pro. Por aqui jogou-se numa TV 4k, mas numa PlayStation 4 Slim, não tirando proveito dessa qualidade ultra HD. Contudo, posso dizer que fiquei altamente maravilhado. O estilo vetorial que este título apresenta torna, de certa forma, fácil a passagem para resoluções mais elevadas e apesar da dimensão da televisão, o aspeto apresentado é no mínimo incrível. Todo o jogo está belíssimo, com um ambiente incrivelmente limpo e um grande trabalho de otimização. As cores, ainda mais vivas com um ecrã HDR ajudam a desfrutar ainda mais de todo o cenário. Este é um jogo que conjuga muito bem o preto dos personagens e do ambiente interativo com as cores garridas do ambiente.

Infelizmente, nem tudo ficou perfeito e os momentos de contar a história, onde algumas cutscenes surgem, não foram refeitas, criando um aspeto altamente desfocado. Outro momento que está estranho é quando descobrimos um novo tambor. Aquele pequeno vídeo que apresenta essa descoberta e ligação a um dos botões do comando está igualmente desfocada. É uma pena ver um jogo tão limpo e que funciona tão bem nesta alta resolução e depois passa por alguns momentos onde o desfoque e os pixeis bem visíveis tornam tudo no ecrã bem feio. Contudo, o mais importante nesta saga não é o grafismo ou a história, mas sim a jogabilidade.

Este é um jogo rítmico e assim os controlos e a precisão são muito importantes, mas ainda mais é o ambiente sonoro. Uma das primeiras coisas que notei e espero que seja reparado no lançamento final do jogo é a latência do som na televisão, algo que no email recebido fazia referência para que no caso de sentirmos essa latência usarmos uns headphones. Não que seja o ideal, porque gostava de jogar este título com o sistema de som, mas por aqui não foi possível. Não que tenha destruído a experiência, mas é um ponto chato. Outra questão foi que nos primeiros minutos de jogo achei altamente estranho os controlos. Talvez devido ao som não estar totalmente ligado com o que acontecia no ecrã, mas era totalmente injogável. Após ter colocado os headphones e o som finalmente fazer sentido, os controlos melhoram igualmente, o que me leva a crer que era exatamente dessa discrepância. Por isso se tiverem problemas a controlar o ritmo, poderá ser desta questão.

Quando jogado na perfeição, o ritmo do jogo entranha-se e damos por nós a cantar desenfreadamente enquanto somamos combos atrás de combos. As cores ficam ainda mais vivas a cada vez que acertamos na combinação e as canções dos nossos pequenos guerreiros ficam ainda mais loucas. É um festival de grandes sons com uma explosão no ambiente que nos faz querer acertar cada vez mais. Nem sempre é fácil manter a combinação, principalmente quando precisamos de trocar de conjunto a meio de um momento mais tenso, como uma batalha. É um jogo altamente gratificante quando chegamos ao final de cada nível sem ter falhado uma nota. Como referi no início deste artigo, é também um título feito para portátil, por isso apesar de uma campanha que vos vai agarrar durante cerca de 20 horas e ainda mais se forem jogadores de completar a 100%, os níveis são em média curtos, levando um considerável aumento na sua dimensão à medida que nos vamos aproximando do final.

Patapon 2 é um bom jogo, não perdendo de todo a sua essência da versão original e nos momentos em que estamos em batalha, o jogo apresenta um grafismo incrível. Muito detalhado e carregado com uma apresentação belíssima. O jogo não deixa de ser apenas um remaster, por isso não apresenta novidades em relação ao original. Poderá ser uma bela aquisição para relembrar uma das mais interessantes sagas da PSP, ficando apenas a faltar o terceiro título na PS4 para termos a coleção completa. É um jogo competente e não tenta inventar sobre o que está bem-feito. Patapon 2 valerá a pena para quem nunca experimentou o original, mas para os restantes jogadores… Bem, será um simples regresso e relembrar do passado. A nota com que marco este jogo é porque ele realmente é muito bom, mas no que toca à versão PS4 não fez o suficiente para me sentir totalmente cativado do princípio ao fim, devido a já conhecer muito bem a saga. Nem sempre a carga nostálgica é suficiente, mas continua a ser incrível.

Esta análise foi possível com o apoio da PlayStation Portugal!
Capa
8
Patapon 2 Remastered
Muito Bom
Data de Lançamento 30 de janeiro de 2020
  • Divertido como sempre
  • Estilo rítmico continua altamente apurado
  • Totalmente viciante
  • Falta algumas adições para quem já jogou este título na PSP
Eduardo Rodrigues
Escrito por: Eduardo Rodrigues

Considero-me um geek da cabeça aos pés. Adoro uma boa leitura, apreciar a arte da BD e da Manga, ver de uma assentada aquela série ou anime incrível, ir ao cinema e devorar um filme e deliciar-me com uma aventura interativa nos videojogos e nos jogos de tabuleiro. Sou um adepto da mágica Briosa e um assistente fervoroso no estádio.