Pokémon Sword e Shield

Nintendo Switch

Chegou-nos, finalmente, a última entrada no mundo Pokémon. Antes de começar esta minha análise, quero apenas referir o quão questionável foi o comportamento da comunidade fã de Pokémon nestes meses prévios ao lançamento. Muitos, sem recurso ao jogo ou factos evidentes do que se passava, opinavam sem pingo de zelo e respeito pelo trabalho feito, olhando apenas para o próprio umbigo. Se não querem jogar o jogo por estar horrível (na opinião deles), estão no seu direito, agora não estraguem a experiência de quem quer jogar e de quem tem, em boas considerações, a Game Freak. Todas as companhias fazem erros e todos têm o direito de o fazer, mas estas trabalham para o nosso divertimento, não para criar negativismo entre os fãs e a própria companhia.

Não quero com isto dizer que estamos perante um jogo sem falhas. Pelo contrário. Porém, há que respeitar essas mesmas falhas e contribuir para que elas melhorem.
Com isto dito, vamos à análise. Só por ser um Main Series Pokémon lançado para a Nintendo Switch, já está a ganhar. A mobilidade desta consola ajuda em muito tudo o que é conectividade, tempo de jogo ou até mesmo o conforto. Se nos apetecer jogar Pokémon “a sério” podemos fazê-lo; se quisermos levá-lo connosco para algum lado, estamos à vontade para o fazer. Importa com isto dizer que, para quem já era jogador de Pokémon há anos, é fantástico conseguir ter esta versatilidade de fontes.

Outro grande aspeto do jogo tem a ver com as novas mecânicas de combate introduzidas. Nas gerações passadas, era muito comum a nível competitivo, ver as mesmas equipas de jogador para jogador, vendo um ou outro com outra variante, ou com um Pokémon específico que este queira testar; agora, com a introdução desta mecânica dos esteróides (diga-se, Dynamax), qualquer Pokémon, ou pelo menos grande parte deles, pode vir a ter mais probabilidade de ser, competitivamente, viável. Podemos ainda discutir, neste ponto, a escolha que a Game Freak fez aquando a remoção de alguns Pokémon’s deste título.

É realmente estranho termos um jogo de telemóvel (Pokémon Go) que contem mais informação ou está mais preparado para receber mais Pokémon’s neste campo, do que um título lançado para uma das melhores, se não a melhor consola do mercado. Mas isto terá de ser visto como uma vantagem para os jogadores a vários níveis:
  1. No sentido do que já vos tinha apontado, grande parte dos Pokémon’s que faltam, faziam parte do antigo elenco de monstros que dominava o competitivo. Significa isto que os jogadores irão levar um reset forçado nesse âmbito, dando mais oportunidade a novos jogadores, mas mantendo certas mecânicas que apenas jogadores experientes conhecem como os melhores IV e EV de cada Pokémon, ou as Natures, entre outros aspectos.
  2. Para o shiny hunting. O shiny charm é um objeto que vos é dado depois de colecionarem todos os Pokemon’s da Pokédex. Ora, a não ser que sejas um fã Hardcore dessa modalidade, vais querer ter este item e olha que ter 400 Pokémon’s já é uma tarefa difícil. Principalmente se não tiveres amigos com diferentes versões do jogo que jogas, mas isso já são outros problemas.

Por fim, vou dar-vos o meu testemunho. Jogo Pokémon desde que me lembro de ser gente, começando a minha aventura na Kanto e depois, consecutivamente, nas restantes regiões. Chegados ao Ultra Sun/Ultra Moon, tenho mais de 18 boxes cheias de Pokémon’s lendários, shiny’s, nível 100, entre outros, e pergunto, para quê? Só podemos jogar com seis ao mesmo tempo, seis esses que também nem sempre vão para a linha de ataque e os outros, que estão a ganhar pó nas boxes que só servem para duas coisas: para mostrar aos amigos para dizer que os têm ou apenas porque gostam de colecionar

Por estes motivos não acho que a remoção dos Pokémon’s da Pokédex seja um problema que manche estas novas entradas na série.

O próximo ponto sobre o qual quero escrever é, também ele, um ponto critico dentro da comunidade: os gráficos. Todos conhecem aquela foto de comparação da árvore, onde esta era comparada com o modelo criado para o Legend of Zelda: Breath of the Wild e depois com a do Ocarina of Time. Parece mentira comparar o aspecto de uma árvore de um jogo de 2019 com outro do ano 1998. Para mim, mais um ponto que é completamente olvidado. Primeiro, eu não estou a jogar Pokémon para avaliar as texturas de uma árvore. Por favor, pessoal! Toda a gente está lá pelos Pokémon novos, pelas mecânicas introduzidas e, claro, pelos visuais. Os visuais não são ditados pelas texturas das árvores.
As cidades introduzidas são cheias de vida e cor, já para não falar das músicas que foram introduzidas. Para mim, algumas competem pelo primeiro lugar de Soundtrack de videojogos, com um dos meus RPG favoritos: Octopath Traveler. Os NPC’s são também novos no sentido de a personagem nunca ter sido vista, trazendo mais vida a este mundo de monstros adoráveis (ou não!).
Outro ponto que vos quero referir: a Wild Area!
Já há muito tempo que num jogo de Pokémon tinha este sentimento de insegurança como tenho nesta zona e, deixem-me dizer-vos, é espetacular! O facto de a área crescer com o jogador à medida que este progride na história é excelente, variando os níveis dos Pokémon’s que encontramos de aceitável a “ajudem-me”, podendo entrar criaturas a nível 65 ou mais se formos para as Raid’s!
Raid’s essas que, claro, também tenho de adereçar. Ótima forma de maximizar a comunicação com outros jogadores ou de ter os Pokémon’s mais fortes ou que não podem ser obtidos de outra forma. Foi, por esta razão, uma boa e refrescante introdução no jogo. Deixo-vos apenas com dois pontos a terem cuidado: a catch rate dos Pokémon’s, no fim de serem derrotados, não é assim tão grande, por isso, não fiquem frustrados se não conseguirem e continuem a tentar; e a segunda é não façam Raid’s com bots… vai dificultar-vos imenso a vida, principalmente nos Pokémon’s mais nivelados.

Por último, nesta parte das coisas boas do jogo, queria ainda realçar a criatividade que a Game Freak teve no design de algumas criaturas novas e as animações de alguns dos ataques novos que fui encontrando ao longo da minha jornada em Galar.

Já me esquecia do comentário mau que fizeram à duração da história. Pessoal, mais uma vez, procurem ter bom senso. Nenhum jogo de Pokémon antes deste tinha diferentes ginásios entre versões; em nenhum jogo, o lendário da outra versão fica para o vosso rival; em poucas versões, o lendário de capa apenas pode ser apanhado no Post-game. Pequenas introduções como esta, assim como todas as interações entre personagens, fazem sentir o jogo mais vivo que nunca! O facto de a Team Yell ter um ginásio ainda me traz pesadelos! Além disso, a costumização da nossa personagem nunca teve tão elaborada, permitindo assim escolher entre várias opções de vários estilos e utilizar o que mais gostamos.
Portanto, ao contrário do que é afirmado, penso que a história deste Pokémon está muito melhor explorada do que qualquer outra, arriscando-me a dizer desde a Black and White.
Agora é que vem a parte pior: pontos negativos.
Tenho de admitir, pensei que este problema iria ficar resolvido com a chegada do novo jogo ao grande ecrã, no entanto, o mesmo não sucedeu. Estou a falar, claro, do Frame Rate. Tanto na Wild Area como em algumas batalhas com a mecânica do Dynamax, temos quebras que não se justificam, criando pequenas, mas significativas pausas ou até mesmo verdadeiras paragens no jogo, só para este atualizar. Já era, em jogos anteriores, o principal motivo para desejar uma reforma na franquia e com este novo título o mesmo não sucedeu.
A segunda e última coisa que tenho a apontar é as animações dos Pokémon’s e alguns dos seus respetivos ataques. As novas criaturas foram feitas de raiz, porém, estas são apenas uma parte do bolo. As restantes aparentam ser apenas um HD remake do que já existia em Ultra sun/Ultra Moon, deixando imenso espaço em aberto para a criatividade fluir. Longe vai o tempo em que o Pokémon Stadium ou o Pokémon Battle Revotion criavam as suas próprias animações, direcionando, por exemplo, (neste último) ou Pokémon’s que atacavam com ataques diretos. Muitas destas pequenas coisas criam e fazem criar, um ambiente muito mais dinâmico nas lutas de Pokémon. No entanto, a Game Freak e claro, a audiência mais nova, continua a preferir o que é flashy em vez destas “suaves” interações.

Veredito

Pokémon Sword and Shield é um jogo que, como todos os outros, tem as suas falhas. Porém, nada que apresenta de negativo é suficiente para ofuscar a luz que o mesmo emana, não só e diversidade de conteúdo e de actividades a desenvolver, como também em todos os Pokémon’s (e a nova região Galar) a descobrir. Mais uma vez, não deixem que terceiros sem experiência tomem decisões por vocês! Vejo-vos nas Raid’s!
Esta análise foi possível com o apoio da Nintendo Portugal!
Capa
8.5
Muito Bom
Data de Lançamento 15 de novembro de 2019
Editado por Distribuido por
Lançado em
Joel Henriques
Escrito por: Joel Henriques

A crescer com o Pokémon desde os cinco anos, apresento-me como um amante incurável do mundo dos videojogos e jogos de tabuleiro. Tenho como objetivo principal, em cada artigo que publico, escrever de forma a transmitir uma opinião simples, mas completa, para que todo o tipo de jogadores sinta que seja como se estivesse, ele próprio, a jogar. Acima de tudo, divirtam-se!