Battlefield V

Battlefield V é um jogo de tiros em primeira pessoa lançado pela Electronic Arts e que chegou aos PCs e grandes consolas no fim do ano passado (2018 para os mais perdidos). Este jogo marca já o décimo sexto título sob a bandeira do franchise. A questão é: Isso será sinónimo de qualidade? Vamos ver.

Quem esteve no MagicShot Gaming Festival em Loures no final de Março pode já ter experimentado o jogo na banca da Xbox. Eu vi-o lá, ganhei interesse e tive a fantástica surpresa de o encontrar na loja online da Origin com um período de experimentação. E assim foi. Arranjei 60GB no disco do meu computador, procedi com a instalação e dei-lhe uma oportunidade.

A introdução é feita fazendo uso de uma montagem que mistura sequências de jogo, sequências cinemáticas, texto e narração. Não há muito que o jogador possa fazer nesta altura, mas dá para visitar muito rapidamente os diversos pontos do planeta onde a acção nos levará e é uma forma interessante de nos apresentar o conceito deste jogo de guerra. Nestes breves minutos, não só podemos ver o nosso entusiasmo ser amplificado, como ficamos familiarizados com os controlos mais básicos e intuitivos, sem quebrar o poder da mensagem. Que mensagem é essa? Que a guerra é má, que deve ficar dentro dos limites dos jogos e que este nos vai levar pelos quatro cantos do globo em viagens épicas e emocionantes. Estarei a exagerar? Talvez, afinal só joguei o primeiro capítulo, mas a minha opinião foi bastante positiva, como ficarão a saber em breve.

Tendo já jogado alguns jogos deste género, sei que o que sinto mais falta num jogo de tiros é motivação. Essa é, para mim, a maior diferença entre um jogo que se resume a apontar e clicar e um jogo que realmente nos dá a sensação de aventura. Nessa frente, Battlefield V correspondeu e ultrapassou bem as expectativas.

Após a introdução, joguei Under No Flag, a primeira de quatro histórias. Completar meia-dúzia de objectivos intercalados por curtas sequências foi o suficiente para me fazer sentir pelas personagens. Os jogadores não são aborrecidos por longos momentos de exposição da história porque o tempo de jogo é aproveitado para a contar. Além disso, depois de escolher o nível de dificuldade, a velocidade com que completei o capítulo ficou completamente ao meu gosto.

Inicialmente, e tendo em conta que Under No Flag é uma história sobre o início de um grupo de serviços secretos britânicos onde dois indivíduos tentam sabotar bases aéreas alemãs no norte de África, tentei ser furtivo. No entanto, o meu “eu” curioso queria explorar e dei por mim a roubar e pilotar uma aeronave alemã, que usei para sabotar as tais bases enquanto era perseguido por outros aviões cujos pilotos alemães gritavam furiosamente aos meus ouvidos pelo rádio.

Como já se pode ter tornado óbvio, convém ter em conta que estas histórias são inspiradas em acontecimentos reais, mas apenas isso: “inspiradas”. Por muito real que tenha sido a inspiração, as histórias foram fortemente alteradas para se adaptarem ao formato do jogo. Por outras palavras, Battlefield V é mais um jogo que um livro de História.

Em termos gráficos, esperava melhor de um jogo deste calibre. Desde objectos que apareciam e/ou desapareciam perto do meu ponto de vista ao detalhe das texturas, há bastante por onde melhorar.

 

No entanto tenho que dar pontos pelo tamanho e desenho do mundo, bem como pela jogabilidade, que aparentemente nos deixa fazer praticamente tudo. Além disso, há ainda a programação dos soldados inimigos. Aqueles vigias são mesmo muito atentos e tornaram os meus esforços por ser furtivo quase inúteis.

Resumindo, gostei bastante do Battlefield V e teria continuado a jogar a campanha caso o modo de experimentação mo permitisse. Vale principalmente pela sensação de aventura e pelas ricas histórias. Como experiência visual poderão encontrar melhor no mercado actual, mas como jogo, é um título mandatório para fãs de first-person-shooters.
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Escrito por: Pedro Cruz

"Spawned" em Aveiro no fim do início da década de 90, apreciador de amostras de imaginação e criatividade, artesão de coisas, mestre da fina e ancestral arte da procrastinação e... por hoje já chega. Acabo isto amanhã...