Tour de France 2020

PlayStation 4

A primeira coisa que me veio à cabeça quando recebemos o email com a informação deste jogo foi as lembranças de jogar Pro Cycling Manager no meu antigo PC, mais precisamente o jogo da edição de 2006. Sendo muito sincero, o ciclismo nunca foi algo que acompanhei religiosamente, mas a Volta a Portugal passava mesmo à beira da minha casa de infância por isso devem calcular que todos os anos lá estava eu, colado à Nacional 2, pronto para ver aqueles ciclistas todos em alta velocidade. Julgo que qualquer desporto sempre me fascinou mais pelo espetáculo do que propriamente pelas suas especificações e aqui o caso é idêntico. É quase como o futebol, na televisão pouco me diz, mas ir ao estádio é outra história e se for para apoiar a minha AAC, então aí é que fica interessante, mas voltemos ao ciclismo.

Pensava eu que tinha aqui à frente uma versão ultra-aprimorada do já clássico Pro Cycling Manager, mas nem fazia ideia do que esta saga mudou na última década. O nome que conhecia já foi embora e desde 2015 que apenas temos um jogo anual. Em 2019 a Bigben Interactive passa a ter os direitos de publicação e devolve o desenvolvimento à Cyanide nesta edição de 2020. Começo já por referir as questões da interface de utilizador, destacando de forma pouco positiva a dos menus, pois este, tal como muitos jogos lançados pela Bigben Interactive, utiliza um nível extremamente simplista de apresentar o conteúdo e chega a parecer um menu feito sem grande atenção. Podem dizer: “mas é apenas o menu e o que interessa é o jogo” – sim, têm toda a razão, mas se entramos no jogo e este não é logo apelativo à partida, perde-se logo a magia.

Vamos ao jogo, começo já por dizer que este não é um título para todo o público, pois a não ser que sejam realmente fãs de ciclismo terão de se inteirar acerca dos conceitos. Este é um simulador por isso vive as emoções, estratégias e desafios do ciclismo real, apresentando-se como algo complexo a início. A equipa de desenvolvimento reconhece isso à partida, lembrando o jogador que deverá realizar todo o treino antes de partir para a primeira corrida e acreditem que vai ajudar imenso. O treino apresenta não só os botões e combinações possíveis de realizar durante a corrida, mas também alguns conceitos básicos de estratégia deste desporto. Contudo, será um belo desafio conseguirem dominar tudo à primeira.

O jogo propriamente dito coloca-nos na pele de um ciclista da equipa que escolhemos, ou no caso da carreira, podemos optar por criar a nossa equipa e até o nosso ciclista. Contudo, ao longo de qualquer corrida é possível ir alternando entre ciclistas da nossa equipa, de forma a manter a estratégia extremamente sólida. Alguns pontos menos interessantes da carreira é a simulação. Se estamos a jogar como gestor de equipa podemos optar por simular as corridas, mas não há nada de interessante nisso. Apenas um ecrã onde após um pequeno load, vemos o vencedor e depois as habituais tabelas classificativas. Olho para este jogo e vejo o potencial de apresentar mais como, por exemplo, ver a corrida como veríamos na televisão. Tornava tudo mais emocionante e realista. Assim este modo, caso optemos por não entrar na corrida propriamente dita e simularmos todas as etapas, acabamos a comprar os ciclistas e pouco mais.

O ponto mais interessante e que poderá divertir muitos dos fanáticos pela modalidade, é mesmo o momento em que entramos na ação da corrida. A estratégia que envolve todas as etapas é complexa e à medida que nos vamos deixando absorver pelo desnível característico de cada etapa as coisas começam a ficar cada vez mais interessantes. Não deixa de ser interessante que um jogo que nos permite controlar um ciclista e manter a gestão do mesmo durante toda a duração da corrida, tenha também tanto ênfase na estratégia de equipa e permita alternar de forma fácil, rápida e intuitiva entre estilos de jogabilidade. A câmara em primeira pessoa, que é uma novidade nesta versão, torna as coisas ainda mais interessantes e principalmente mais realistas.

Apesar da ação de uma etapa ser mesmo a melhor coisa que este jogo oferece, contém alguns problemas óbvios para videojogos com orçamentos menos significativos. Um dos aspectos mais negativos é mesmo o som, em todos os níveis. Não temos música, para tornar a coisa mais realista e até aí compreendo. Os sons são escassos, principalmente quando viajamos por locais sem público, onde apenas o som do vento faz questão de aparecer, tornando todo o ambiente um pouco mais morto. Já nos momentos de público, além de se moverem para o meio da estrada sem grande esforço de pernas, as palavras de incentivo em francês podem contar-se pelos dedos de uma mão e começam a tornar-se repetitivas a meio da primeira etapa que fazemos.

Tour de France 2020 é uma entrada feita para os fãs desta modalidade desportiva e pouco mais, sendo difícil agradar ao resto do público. Não é um mau jogo e tem as suas forças no que toca à estratégia e ação da bicicleta. Falha no som em geral e os ambientes sonoros estão perto do demasiado simples. As interfaces vão do minimalista a perto do desinteressante. É um jogo competente na sua área e principalmente um jogo único na sua vertente. Será impossível encontrarem outra forma de viver a Tour de France em 2020 de outra forma destacando-se assim na biblioteca de jogos. Por aqui jogamos na PlayStation 4, mas a experiência será semelhante em todas as plataformas lançadas.

E vocês? São fãs do ciclismo e da Volta à França em Bicicleta? Esta é a oportunidade de serem o verdadeiro camisola amarela!

Esta análise foi possível com o apoio da Upload Distribution!
Capa
7.5
Tour de France 2020
Data de Lançamento 4 de Junho de 2020
Editado por Distribuido por
Lançado em
  • Um simulador feito a pensar nos amantes do ciclismo
  • Desafiante e onde a estratégia é muito importante
  • Transmite a sensação do que é viver a maior prova de ciclismo do mundo
  • Feito a pensar nos fãs do ciclismo, desde a jogabilidade, ao ambiente
  • Não é o jogo mais indicado para quem não entender minimamente de ciclismo
  • Apresentação de conteúdos podia ser mais interessante
  • Falta mais variedade de sons no público, da voz que nos acompanha e da própria música
Eduardo Rodrigues
Escrito por: Eduardo Rodrigues

Considero-me um geek da cabeça aos pés. Adoro uma boa leitura, apreciar a arte da BD e da Manga, ver de uma assentada aquela série ou anime incrível, ir ao cinema e devorar um filme e deliciar-me com uma aventura interativa nos videojogos e nos jogos de tabuleiro. Sou um adepto da mágica Briosa e um assistente fervoroso no estádio.